Cartões e óculos sobre uma mesa de planejamento

Como transferir pontos para milhas (Livelo, Esfera e bônus de transferência)

Por , editorAtualizado em 9 de julho de 2026Leitura: 7 minConteúdo verificado

Transferir agora ou esperar um bônus melhor?

“Transferir pontos” é o passo que transforma os pontos que você acumula no banco ou no cartão em milhas de uma companhia aérea, prontas para emitir uma passagem. No Brasil, esse caminho é tão central que vale entender bem como ele funciona, é onde mora a maior parte do ganho de quem viaja com milhas.

Os dois hubs de pontos: Livelo e Esfera

A maioria dos pontos no Brasil se concentra em dois programas que funcionam como hubs. A Livelo reúne pontos ligados ao Bradesco e ao Banco do Brasil; a Esfera é o programa do Santander. Cartões, contas e compras alimentam esses dois saldos, e é a partir deles que você transfere para o programa de uma companhia aérea.

Os destinos da transferência são os programas das companhias: Smiles (GOL), LATAM Pass e Azul Fidelidade (Azul), além de programas estrangeiros parceiros. Cada um tem suas próprias parcerias e sua própria tabela de quanto rende a transferência.

O fluxo, passo a passo

  1. Acumule pontos no cartão/banco, que caem na Livelo ou na Esfera.
  2. Espere uma janela de bônus de transferência, a campanha que multiplica o saldo na hora de migrar para a companhia.
  3. Transfira de Livelo/Esfera para o programa da companhia onde você vai emitir.
  4. Emita a passagem com o saldo de milhas já no programa da cia.

Bônus de transferência: onde está o ganho

O bônus de transferência é a campanha em que Livelo ou Esfera multiplicam o saldo ao transferir para uma companhia. É a principal alavanca de quem viaja com pontos: bem aproveitado, derruba o custo do milheiro de forma relevante. As porcentagens e as companhias participantes mudam a cada campanha, então o melhor é acompanhar os bônus de transferência ativos agora e agir quando a janela do programa que você quer abrir, em vez de transferir no impulso.

Como esses números são voláteis, trate qualquer porcentagem que você vir como referência do momento, confirme sempre no app do programa antes de transferir.

A conta na prática

A fórmula que eu uso para saber se a transferência compensa é simples: (preço da passagem em dinheiro − taxas) ÷ milhas × 1.000 = o que o milheiro realmente rende.

Um exemplo: você tem 30.000 pontos Livelo e aparece um bônus de 100% para o Smiles. Os 30 mil viram 60.000 milhas Smiles. Pela nossa referência, o milheiro do Smiles vale cerca de R$ 21 de uso, então essas 60 mil milhas valem por volta de R$ 1.260 em passagem. Se você fabricou os pontos Livelo a uns R$ 18 o milheiro (R$ 540 nos 30 mil), o bônus transformou R$ 540 em cerca de R$ 1.260 de valor. É por isso que eu quase nunca transfiro sem um bom bônus.

Faça a conta do seu caso na calculadora do milheiro e confira o valor de cada programa em quanto vale o milheiro. São referências de uso e mudam, confirme na hora.

Usar pontos direto x transferir para a companhia

Tanto a Livelo quanto a Esfera permitem resgatar passagens direto, usando os pontos sem transferir para uma companhia. É prático e às vezes resolve. Mas, quando há bônus de transferência aberto, levar os pontos para o programa da cia e emitir por lá costuma render bem mais por ponto. A pergunta certa não é “qual é mais fácil”, e sim “qual entrega o menor milheiro para a passagem que eu quero”.

Pontos + Dinheiro e a conta do milheiro

A comunidade usa o percentual de bônus como atalho para decidir se uma transferência vale: como regra de bolso (não é regra oficial), costuma-se esperar por volta de 90% a 100% para a Azul, 80% para a Smiles, 30% para a LATAM e de 20% a 30% para a Iberia. Mas atalho é atalho: a decisão de verdade é o custo do milheiro na companhia, não o número do bônus.

A conta é direta: milheiro na companhia = milheiro do ponto ÷ (1 + bônus). Se o seu ponto saiu a R$ 26,50 o milheiro, um bônus de 100% o leva a R$ 13,25 na companhia (÷2); 90% leva a R$ 13,94 (÷1,9); 110% a R$ 12,61 (÷2,1). Por isso um bônus “abaixo do mínimo” às vezes compensa: se o milheiro final ficar bom, transfira. Faça a conta na calculadora do milheiro.

Pontos + Dinheiro é o complemento: quando falta saldo para fechar a transferência, alguns programas deixam você comprar a diferença na hora. Na Livelo, basta ter cerca de 1% do total que quer enviar; na Esfera, cerca de 10%. O preço desses pontos muda a qualquer momento (às vezes antes de a oferta acabar), então simule na hora de transferir e inclua esse custo no cálculo do milheiro final.

Quando vale a pena transferir

  • Você já tem o destino e as datas em mente. Transferir “para guardar” é arriscado: o saldo vira milha e milha expira.
  • Há uma janela de bônus aberta para o programa em que você vai emitir.
  • O milheiro fecha a conta. Calcule o R$ por mil milhas na calculadora do milheiro e compare com o preço da passagem em dinheiro antes de confirmar.

Detalhes que evitam erro caro

A mecânica é simples, mas alguns detalhes separam quem aproveita de quem perde valor (ou perde pontos). São os que eu mais vejo passarem batido:

  • A base costuma ser 1 ponto = 1 milha, o bônus é o que muda o jogo. Sem campanha, a transferência geralmente é 1:1; é o bônus (por exemplo, +80%) que multiplica o saldo. Por isso transferir fora de promoção raramente compensa.
  • A transferência é irreversível. Depois que o ponto vira milha no programa da companhia, não tem como voltar atrás. Confira o programa certo e a quantidade antes de confirmar.
  • Inscreva-se na campanha antes de transferir. Muitas promoções exigem ativar o bônus numa página própria antes de você mandar os pontos. Se transferir sem esse passo, o bônus pode simplesmente não entrar.
  • Tire um print de cada etapa da promoção. Ao se inscrever na campanha de bônus e ao concluir a transferência, faça uma captura de tela do cadastro e da confirmação, de preferência com data, valor e o CPF visíveis. Se o bônus não cair ou houver qualquer divergência, esse print é a sua prova para abrir uma reclamação e cobrar o programa.
  • Não deixe para a última hora. A transferência costuma ser rápida, minutos, mas pode demorar horas ou, em casos raros, até dias. Nunca conte com ela no dia do voo.
  • Transfira só o necessário. Em vez de migrar todo o saldo “por garantia”, transfira o suficiente para a emissão (mais uma pequena folga). Pontos no hub são flexíveis, servem para vários programas; milha já está presa a uma companhia.
  • A milha transferida ganha um novo prazo de validade. No hub, o ponto tem a validade da Livelo/Esfera; depois de virar milha, passa a valer o prazo daquele programa aéreo, às vezes mais curto. Confira a validade e expiração de pontos antes de transferir um saldo grande.

Com os pontos já no programa aéreo, o próximo passo é a emissão: o passo a passo está em como resgatar milhas e emitir sua passagem.

Tem cartão Itaú? Atenção: os pontos Itaú não vão para a Livelo, transferem direto para as companhias aéreas. Entenda a lógica em pontos Itaú.

Perguntas frequentes

Quanto rende a transferência de pontos para milhas?

Na base, costuma ser 1 ponto = 1 milha. O que muda o resultado é o bônus de transferência da campanha: com +80%, por exemplo, 10.000 pontos viram 18.000 milhas. As porcentagens e os programas participantes mudam a cada promoção, então confirme no app antes de transferir.

Dá para desfazer uma transferência de pontos?

Não. A transferência é irreversível: depois que o ponto vira milha no programa da companhia, não há como voltar atrás. Por isso vale conferir com calma o programa de destino e a quantidade antes de confirmar.

Preciso me cadastrar na promoção de bônus antes de transferir?

Na maioria das campanhas, sim. É comum a promoção exigir que você ative ou se inscreva numa página própria antes de mandar os pontos, se pular esse passo, o bônus pode não ser creditado. Leia as regras da campanha antes de transferir.

Tinha duas promoções no mesmo dia, da Livelo e da Esfera. Posso me cadastrar em qualquer uma?

Não, e essa confusão faz muita gente perder o bônus. Cada promoção vale só para a sua origem: a campanha da Livelo bonifica o que sai da Livelo, a da Esfera o que sai da Esfera, mesmo quando as duas vão para a mesma companhia no mesmo dia. Se você se cadastrar na da Esfera e transferir da Livelo, os pontos saem sem o multiplicador. Cadastre-se na promoção da origem onde estão os seus pontos, confirme que a inscrição entrou (alguns programas já mostram isso no extrato) e só então transfira. Como a transferência é irreversível, não dá para desfazer.

Quanto tempo demora a transferência?

Costuma ser rápida, geralmente em minutos, mas pode levar horas ou, em casos raros, até alguns dias dependendo dos programas envolvidos. Por isso nunca deixe para transferir em cima da hora do voo.

Vale a pena transferir sem bônus?

Quase nunca. Fora de promoção, você abre mão da flexibilidade dos pontos do hub (que servem para vários programas) sem ganhar o multiplicador. Salvo uma emergência real, esperar a campanha certa costuma valer muito mais.

Livelo ou Esfera: qual transfere melhor?

Depende da campanha do momento e de quais cartões alimentam cada saldo. As duas cobrem os principais programas aéreos brasileiros; o que define é onde está o bônus mais alto para o programa em que você vai emitir. Acompanhe as promoções e decida caso a caso.

Como transferir pontos Livelo para a Azul?

A transferência é feita no site ou app da Livelo, com a Azul Fidelidade como destino, na base de 1:1: 1.000 pontos Livelo viram 1.000 pontos Azul. O mínimo é de 1.000 pontos (em múltiplos de 1.000), a conta Livelo e a Azul precisam ter o mesmo CPF e os pontos costumam cair em até 1 dia útil. O que muda tudo é o bônus: a Azul é o destino que mais aparece em promoção (em geral 90% a 100%, às vezes mais), então os mesmos 1.000 pontos podem virar 1.900 a 2.000. Sem bônus, quase nunca compensa. Veja antes se há bônus ativos e, depois que os pontos caírem, emita na Azul Fidelidade.

Quer ir além da transferência? Veja como comprar milhas (comprando pontos na Livelo/Esfera com desconto e somando ao bônus, ou comprando direto na companhia quando há promoção) e o Comece aqui para montar a estratégia do zero.