O ANA Mileage Club é o programa de fidelidade da All Nippon Airways, a maior companhia do Japão e uma das mais premiadas do mundo. Entre quem domina milhas, a ANA tem fama de oferecer algumas das melhores tabelas de resgate em parceiras Star Alliance e produtos de bordo excepcionais. O problema, para o viajante brasileiro, é direto e precisa ser dito sem rodeios: acumular milhas ANA a partir do Brasil é, na prática, muito difícil. Este guia explica por que, qual o valor real do programa e em que situação ele faz (ou não) sentido para alguém que mora no Brasil.
O que é o ANA Mileage Club
A ANA integra a Star Alliance, a maior aliança aérea do mundo, ao lado de United, Lufthansa, Air Canada, Swiss, LATAM e outras. Isso significa que as milhas ANA servem para emitir não só nos voos da própria companhia, mas em toda a rede Star Alliance. O programa é conhecido por duas coisas: uma tabela de resgate em parceiras que costuma pedir menos milhas que a de muitos concorrentes, e produtos de cabine de altíssimo nível, como a executiva The Room e a primeira classe da ANA. O valor está aí. A dificuldade está em chegar até as milhas.
Como acumular no Brasil: a verdade
Vamos ser honestos, porque é o que mais importa aqui: não existe transferência de nenhuma coalizão ou banco brasileiro para o ANA Mileage Club. Nem Livelo, nem Esfera, nem o Amex Membership Rewards emitido pelo Santander no Brasil transferem para a ANA. Os únicos caminhos reais para abastecer uma conta ANA são:
- American Express Membership Rewards internacional: o Amex Membership Rewards dos Estados Unidos (e de alguns outros mercados) transfere para a ANA na relação 1:1. Isso exige ter um cartão Amex internacional, fora do Brasil, algo que a imensa maioria dos brasileiros não tem. Vale registrar, ainda, que essas transferências chegaram a ficar pausadas até o início de março de 2026, um lembrete de que o caminho é instável.
- Marriott Bonvoy: os pontos do programa de hotéis Marriott Bonvoy transferem para a ANA na relação 3:1, com bônus de 25% a cada bloco de 60 mil pontos transferidos (ou seja, 60 mil Bonvoy viram 25 mil milhas ANA). É um caminho que existe, mas acumular Bonvoy em volume relevante a partir do Brasil também não é trivial.
- Voar pela ANA e parceiras Star Alliance: a fonte original. Voos pagos creditam milhas conforme tarifa e distância, lento para quem não voa com frequência.
O recado, portanto, é de expectativa calibrada: se você não tem acesso a pontos Amex internacionais ou a um saldo robusto de Marriott Bonvoy, o ANA Mileage Club não é um programa em que você vá acumular milhas morando no Brasil. Não invente um caminho de transferência que não existe, e desconfie de qualquer conteúdo que prometa transferir Livelo ou Esfera diretamente para a ANA.
Onde está o valor: a tabela Star Alliance
Se o acúmulo é o ponto fraco, a tabela de resgate é o ponto forte. A ANA mantém uma tabela de prêmios em parceiras Star Alliance que costuma ser uma das mais econômicas da aliança, o que a torna um dos melhores destinos de pontos Amex internacionais para quem tem acesso a eles. Os usos mais valorizados:
- Voar parceiras Star Alliance: emitir em United, Lufthansa, Swiss, Air Canada ou LATAM pela tabela da ANA pode sair mais barato em milhas do que pelo programa da própria companhia, dependendo da rota.
- Produto ANA em metal próprio: a executiva The Room e a primeira classe da ANA estão entre as melhores cabines do mundo, e o Japão é um destino de altíssima procura, resgatar a própria ANA é um objetivo em si para quem busca a executiva para a Ásia.
- Stopovers e open-jaw: o programa permite paradas e trechos abertos generosos, o que ajuda a montar roteiros elaborados pela Ásia em uma única emissão.
Pegadinhas
- Resgates só ida e volta: a maior parte das emissões da ANA em parceiras exige bilhete de ida e volta (round-trip), o que reduz a flexibilidade para quem queria só um trecho. Em compensação, stopovers e open-jaw são permitidos.
- Acesso ao programa: sem pontos Amex internacionais ou Marriott Bonvoy, não há como abastecer a conta a partir do Brasil. Esse é o limite prático que define se a ANA serve para você.
- Instabilidade das rotas de transferência: a própria pausa de transferências do Amex para a ANA em 2026 mostra que esses caminhos podem fechar temporariamente. Não conte com eles como garantidos.
- Disponibilidade de assento-prêmio: o produto ANA e as melhores rotas Star Alliance são disputados. A tabela boa só vale se houver assento liberado.
Vale a pena?
O ANA Mileage Club é um programa excelente preso atrás de uma barreira de acesso que, para o viajante brasileiro comum, é quase intransponível. Se você tem um cartão Amex internacional ou acumula Marriott Bonvoy em volume, a ANA passa a ser um dos melhores destinos de pontos do mundo, com tabela econômica em Star Alliance e produtos de bordo de referência. Para quem depende só de coalizões e cartões brasileiros, porém, a recomendação honesta é não construir uma estratégia em torno da ANA: o caminho de acúmulo simplesmente não existe por aqui. Conhecer o programa vale para entender o ecossistema e para o dia em que você tiver acesso a pontos internacionais, mas, no contexto brasileiro, ele fica mais como referência de produto do que como ferramenta prática de milhas.
Veja também a lista completa de Programas, os caminhos mais viáveis para a Ásia em milhas no guia do Qatar Privilege Club e o nosso ranking de programas de milhas.
Verificado em maio de 2026. Rotas de transferência e tabelas de resgate mudam sem aviso, e o acúmulo a partir do Brasil é, na prática, inviável sem acesso a pontos internacionais, confirme no programa antes de qualquer transferência, lembrando que ela é irreversível.