Passaporte, cartão de embarque e itens de viagem sobre um mapa, documentos para viajar

Documentos para viajar: passaporte, visto, ETIAS e ESTA

Por , editorAtualizado em 22 de agosto de 2026Leitura: 22 minConteúdo verificado

O que eu faria

O que eu faria antes de comprar a passagem em milhas: abrir o passaporte e conferir a validade contra a regra do destino, porque Schengen conta 3 meses depois da data de saída, não 6 meses fixos. Depois, o visto: brasileiro não usa ESTA nos Estados Unidos, precisa de visto, e o Reino Unido exige a ETA eletrônica. O ETIAS ainda não vale, e eu não conto com data de início até a União Europeia publicar uma. O que eu não faria: confiar na memória de uma viagem anterior, porque regra de fronteira muda por decreto. Cada número aqui tem data; confira na fonte oficial na semana do embarque.

Documentos para viajar: turista brasileiro

Comprar a passagem em milhas é a parte fácil. A que mais derruba viagem é a burocracia: um passaporte vencendo, um visto que ninguém avisou que precisava, uma autorização eletrônica nova que mudou no meio do caminho. Este é o meu hub de documentos, passaporte, vistos, ETIAS, ESTA, o novo sistema europeu de fronteiras e a vacina de febre amarela, escrito para brasileiro, com tudo datado de junho de 2026. Aviso desde já: regra de fronteira muda, e muda rápido. Eu trato cada número aqui como uma foto do momento e recomendo que você confirme na fonte oficial antes de embarcar. Se a sua dúvida é especificamente sobre o nome no bilhete bater com o passaporte, isso está no guia dedicado de nome na reserva e passaporte.

Que documento levar, por destino (resumo)

Antes do detalhe de cada documento, o quadro rápido. Confirme sempre na fonte oficial do destino, porque as regras mudam:

DestinoDocumentoVisto / autorização
Voo dentro do BrasilRG ou CNH válidos (com foto, em bom estado),
Mercosul e associados (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador)RG em bom estado ou passaporteNão, para turismo
Europa / SchengenPassaporte válidoIsento de visto até 90 dias; ETIAS ainda não exigido, sem data oficial de início
Reino UnidoPassaporte válidoETA (autorização eletrônica) obrigatória
Estados UnidosPassaporte válidoVisto americano (brasileiro não usa ESTA)
Resumo de junho de 2026; regras de fronteira mudam, confirme no consulado/site oficial do destino antes de viajar.

Viagem nacional e Mercosul: quando o RG basta

Para voar dentro do Brasil você não precisa de passaporte, basta um documento oficial de identidade com foto: RG, CNH ou carteira funcional reconhecida. O detalhe que pega gente é o estado do documento: RG muito antigo, plastificado quebrado ou com foto que não te identifica mais pode ser recusado no embarque. A CNH vale como identidade, mas a versão digital nem sempre é aceita, leve a física ou confirme com a companhia.

Para os vizinhos do Mercosul e associados (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador), o brasileiro pode entrar a turismo só com o RG, sem passaporte, desde que o documento esteja em bom estado e, de preferência, com menos de 10 anos de emissão, alguns controles olham isso. Se o seu RG é antigo ou está gasto, eu levaria o passaporte para não arriscar na fronteira. Para qualquer destino fora dessa lista, passaporte é obrigatório.

O passaporte é a base de tudo, e é onde mais gente se atrapalha por achar que tem tempo. No Brasil, o passaporte comum é emitido pela Polícia Federal. Os números que eu confirmei em maio de 2026, na página oficial do gov.br:

  • Validade: 10 anos para maiores de 18 anos (para crianças e adolescentes, o prazo é menor e varia com a idade).
  • Taxa: R$ 257,25 (a Guia de Recolhimento da União, paga antes do atendimento).
  • Prazo de entrega: de 6 a 10 dias úteis, contados após o atendimento presencial. Na prática eu sempre conto folga, porque agendamento e demanda variam por cidade.
  • Não existe “renovação”. Quando o seu passaporte vence, danifica ou esgota as páginas, você solicita a emissão de um documento novo, o processo é o mesmo da primeira via.

A regra dos 6 meses. Esse é o detalhe que mais arruína viagem de quem deixou o passaporte “no limite”. Muitos países exigem que o seu documento tenha validade mínima de seis meses além da data de saída deles, não basta estar válido no dia do voo. Não é uma lei universal (alguns destinos pedem só validade durante a estadia), mas é tão comum que eu trato como regra padrão: se faltam menos de seis meses para o passaporte vencer, eu emito um novo antes de comprar a passagem. Confirme a exigência exata do seu destino no consulado correspondente.

Passaporte de emergência. Existe, com prazo de emissão bem mais curto, mas tem duas pegadinhas: a validade é de apenas 1 ano e ele não é destinado a viagens de turismo, é para casos de comprovada urgência (motivo humanitário, médico etc.). Não conte com ele como atalho para uma viagem de férias mal planejada. O caminho certo é emitir o passaporte comum com antecedência.

Europa / Schengen: são 3 meses após a saída, não 6 meses fixos

Para uma viagem de turismo de até 90 dias ao Espaço Schengen, o passaporte brasileiro precisa estar válido por pelo menos três meses após a data planejada de saída da área Schengen e ter sido emitido nos últimos dez anos. Exemplo: quem sai da área em 31 de agosto precisa de validade até, no mínimo, 30 de novembro. Os “seis meses” que muita gente repete não são a regra europeia: eles resultam quando a pessoa entra com quase 90 dias de viagem pela frente (90 dias de estadia + 3 meses depois da saída). Ainda assim, itinerário, conexão ou situação individual podem mudar a análise; antes de emitir, eu confiro os requisitos na fonte oficial da União Europeia e na representação do país de entrada.

ETIAS: o que é, e por que ainda não vale

O ETIAS (sigla em inglês para Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem) é o ponto que mais gera confusão, porque foi adiado várias vezes. Vou ser direto sobre o status real em agosto de 2026: o ETIAS ainda não está em vigor, e ficou sem data. Até julho a União Europeia apontava o último trimestre de 2026, logo depois do EES; reconferi o site oficial em 22 de agosto de 2026 e essa previsão saiu do ar. O que está publicado hoje é que o sistema não está em operação, que nenhum pedido está sendo recebido e que a data exata será anunciada com meses de antecedência. O lançamento já foi adiado várias vezes. Ou seja: em meados de 2026 você ainda não precisa de ETIAS, mas, se for viajar para a Europa do fim de 2026 em diante, confira o status antes de comprar a passagem.

O que isso significa na prática para o brasileiro hoje: você entra no Espaço Schengen apenas com o passaporte válido, para estadas de turismo de até 90 dias em cada período de 180 dias. Nada de autorização prévia, nada de taxa europeia, ainda.

Quando o ETIAS finalmente entrar em vigor, é importante entender o que ele é (e o que não é):

  • Não é um visto. É uma autorização eletrônica de viagem, pedida online antes de embarcar, parecida com o ESTA americano ou o eTA canadense. Vale para nacionalidades que já são isentas de visto, incluindo o Brasil.
  • Custo previsto: € 20 por autorização, valor definido pela Comissão Europeia em julho de 2025 (era € 7 no plano original). A previsão é de isenção da taxa para menores de 18 e maiores de 70 anos.
  • Validade longa. A autorização será válida por vários anos (ou até o passaporte vencer), cobrindo múltiplas entradas, você não pede uma nova a cada viagem.
  • Vinculado ao passaporte. Se você trocar de passaporte, precisa de uma nova autorização.

Como a data de lançamento já mudou tantas vezes, eu não cravo um dia aqui, escrevo de propósito de forma condicional. Antes da sua viagem à Europa, confira o status atual na fonte oficial (o portal da União Europeia em travel-europe.europa.eu). É a única maneira honesta de tratar uma regra que vive sendo remarcada.

EES: o novo controle de fronteira europeu (esse já existe)

Diferente do ETIAS, o EES (Entry/Exit System, Sistema de Entrada/Saída) já é realidade. Ele começou a funcionar de forma progressiva em 12 de outubro de 2025 e está previsto para ficar plenamente operacional em 10 de abril de 2026. Não custa nada e não é visto, é a forma como a Europa passou a registrar quem entra e sai.

O que muda para você na fronteira: em vez do velho carimbo no passaporte, o sistema faz um registro digital da sua entrada e saída e coleta biometria, foto do rosto e impressões digitais. Na prática isso significa duas coisas: a primeira passagem pode ser mais lenta (já houve relatos de filas maiores nos aeroportos durante a implantação); e o controle dos seus 90 dias em 180 passa a ser automático, sem depender de carimbo legível. Não há nada para você solicitar com antecedência, o EES acontece no momento em que você cruza a fronteira. É só chegar com tempo e paciência extra no aeroporto.

Para agilizar esse controle, a União Europeia lançou o aplicativo gratuito “Travel to Europe”, em que o viajante não europeu pode pré-registrar os dados do passaporte e a foto do rosto até 72 horas antes de chegar à fronteira. Usar o app é opcional: ele pode poupar tempo no guichê, mas não é obrigatório e não garante a entrada, a decisão é sempre do agente na fronteira. Por enquanto, funciona em poucos países e com alcance diferente em cada um: na Suécia dá para adiantar passaporte, foto e o questionário de entrada; em Portugal, por ora, só o questionário. Baixe apenas pela página oficial da União Europeia, apps falsos de imigração são um golpe comum.

Reino Unido: a ETA (e por que o passaporte europeu não isenta)

Desde 2025, o Reino Unido passou a exigir a ETA (Electronic Travel Authorisation) de quem viaja a turismo sem visto, e isso inclui os brasileiros. É uma autorização eletrônica vinculada ao passaporte, solicitada e paga online antes do embarque. Custa £20, paga em libras só no canal oficial, permite estadas de até seis meses por visita e vale por dois anos ou até o passaporte expirar, o que vier primeiro. Cada pessoa precisa da sua, incluindo bebês e crianças.

Dois pontos que mais geram dúvida. Primeiro: ter passaporte da União Europeia (italiano, português) não dispensa a ETA, depois do Brexit, europeus também precisam. Segundo: se você só faz conexão no Reino Unido sem passar pela imigração (em trânsito airside, hoje em Heathrow e Manchester), por ora não precisa de ETA, mas essa isenção é descrita como temporária e pode mudar, então confirme com a companhia e no site oficial antes de viajar. Solicite sempre pelo aplicativo oficial UK ETA ou em gov.uk/eta; outros sites cobram a mais. Valores e regras mudam, então confira no gov.uk antes de embarcar.

EUA: brasileiro não usa ESTA, precisa de visto

Esse é o erro mais comum que eu vejo, e quero ser cristalino: o ESTA não vale para o passaporte brasileiro. O ESTA é a autorização eletrônica do Visa Waiver Program (programa de isenção de visto) dos Estados Unidos, e o Brasil não faz parte desse programa. Portugal, Espanha, Itália, Chile e dezenas de outros países estão; o Brasil, não.

Por isso, para viajar aos EUA, o brasileiro precisa de visto americano. Para turismo e negócios, o visto é o B1/B2. O que você precisa saber (verificado em julho de 2026):

  • Entrevista consular presencial, agendada após o preenchimento do formulário DS-160 e o pagamento da taxa.
  • Taxa: US$ 185 (taxa consular do B1/B2, paga antes do agendamento).
  • Nova taxa de US$ 250 (a “Visa Integrity Fee”): uma taxa extra, por cima dos US$ 185, criada por lei americana em 2025 e cobrada só quando o visto é aprovado e emitido. A cobrança está sendo escalonada nos consulados ao longo de 2026 (veja o parágrafo abaixo).
  • Validade: costuma ser de 10 anos para brasileiros (cada caso é decidido pelo consulado).
  • Prazos de agendamento variam muito conforme o posto consular (São Paulo, Rio, Brasília, Recife, Porto Alegre). Por isso eu começo o processo do visto muito antes de pensar em datas de viagem.

Sobre a nova taxa de US$ 250: em julho de 2025, os Estados Unidos criaram a chamada Visa Integrity Fee, uma taxa de US$ 250 que se soma aos US$ 185 do B1/B2 e é cobrada no momento em que o visto é emitido, não na solicitação. Como o Brasil não faz parte do Visa Waiver, o visto do brasileiro está entre os afetados. Na prática, porém, em 2026 a implementação ainda é irregular: alguns consulados já começaram a cobrar e outros aguardam o sistema de pagamento entrar no ar, sem uma data única confirmada para todos os postos. Por isso eu trato os US$ 250 como um custo provável, e não garantido: confirme o valor total no site oficial da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil antes de fechar seu orçamento. A lei prevê devolução da taxa a quem cumpre todas as regras do visto, mas o próprio governo americano reconhece que o processo de reembolso deve levar anos para existir, então eu não contaria com esse dinheiro de volta.

A única exceção: se você tem dupla cidadania de um país que faz parte do Visa Waiver (por exemplo, passaporte português, italiano ou espanhol), aí sim você pode entrar com o ESTA usando esse passaporte, sem visto B1/B2. Mas isso é uma vantagem da outra cidadania, não do passaporte brasileiro. Para o status atual de taxas, formulários e agendamento, a fonte é o site oficial da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

Estados Unidos: validade do passaporte e do visto

Data de vencimento do visto não é data-limite para sair dos Estados Unidos. Ela é a última data em que você pode usar aquele visto para viajar até uma fronteira americana e pedir admissão. Na chegada, é o agente da imigração que decide se você entra e até quando pode ficar. Depois de admitido, a referência é a data “Admit Until” do seu I-94, não a data impressa no visto.

Na prática, um visto B1/B2 que vence durante a viagem não obriga você a voltar antes desse vencimento, desde que a admissão tenha sido regular e você saia até a data indicada no I-94. Mas eu não trataria “chegar no último dia do visto” como estratégia: o visto apenas permite pedir entrada, e a decisão de admissão e do período de permanência continua sendo do agente da CBP.

Passaporte e visto têm regras separadas. O passaporte precisa estar válido para a viagem. A regra geral americana menciona seis meses de validade além da estadia, mas o Brasil integra a lista oficial de países dispensados dessa extensão: para o passaporte brasileiro, a referência é que ele esteja válido durante o período pretendido de permanência. Ainda assim, eu renovaria com folga se a validade estiver apertada e confirmaria a documentação com a companhia aérea antes do embarque, conexões e regras operacionais podem acrescentar exigências.

Outro detalhe útil: se o visto americano válido estiver no passaporte antigo, ele pode ser usado junto com um novo passaporte válido, desde que o visto não tenha sido cancelado ou revogado. Confira sempre a orientação do Departamento de Estado antes da viagem.

Vistos por destino: como descobrir se você precisa

Não dá (nem adianta) listar todos os países aqui, porque a regra muda e cada destino tem a sua. O que vale é o método. A boa notícia é que o passaporte brasileiro é forte: você é isento de visto em boa parte da Europa, América do Sul, e em muitos destinos da Ásia e do Caribe. A lógica geral mais útil de guardar:

  • Schengen (Europa): isento, até 90 dias em cada 180 (e, por enquanto, sem ETIAS, veja a seção acima).
  • EUA: exige visto (B1/B2), como expliquei.
  • Destinos que mudaram a regra: o caso mais quente é o México. Em fevereiro de 2026, o governo mexicano restabeleceu a autorização eletrônica (SAE) para brasileiros que chegam por via aérea a turismo ou negócios, autorização online, paga (na faixa de US$ 10), vinculada ao passaporte, para uma entrada de até 180 dias. Há isenções (quem tem residência ou visto válido de EUA, Canadá, Schengen, Reino Unido ou Japão costuma estar dispensado), e fronteira terrestre/marítima segue exigindo visto consular. Como é regra nova e em ajuste, eu trato como condicional e confirmo no portal oficial mexicano e no consulado antes de viajar (relevante para quem vai a Cancún ou à Cidade do México).

Onde checar (sempre fonte oficial): o consulado ou embaixada do país de destino é a autoridade final sobre quem precisa de visto. O Itamaraty (gov.br/mre) pública avisos para brasileiros país a país e é meu segundo ponto de consulta. Eu nunca decido com base em blog (incluindo este): uso o guia para saber o que perguntar e confirmo a regra vigente na fonte oficial, datando a checagem.

Febre amarela: o Certificado Internacional (CIVP)

Alguns países exigem comprovante de vacinação contra a febre amarela para deixar você entrar, especialmente destinos na África e em partes das Américas. O documento aceito internacionalmente é o CIVP (Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia). Os pontos que eu confirmei (maio de 2026):

  • É gratuito e emitido pelo gov.br (no aplicativo Meu SUS Digital ou no portal), depois que você toma a vacina numa unidade de saúde.
  • Validade vitalícia (uma dose, para a maioria das pessoas), mas o certificado só passa a valer 10 dias após a vacinação, então não dá para tomar a vacina em cima da hora.
  • Leve a versão impressa. O digital com QR Code costuma ser aceito, mas fiscais de fronteira em vários países ainda pedem o papel; eu sempre imprimo.

Como a lista de países que exigem o CIVP muda e é longa, eu não reproduzo uma lista fechada aqui, confiro a exigência do meu destino com antecedência (no mínimo umas três semanas antes, por causa dos 10 dias de carência da vacina) na fonte oficial de saúde do Brasil e no consulado do país.

Autorização de viagem para menores de idade

Se você vai viajar com uma criança ou adolescente, essa é a parte do planejamento que eu não deixo para a véspera. As regras mudaram nos últimos anos e ainda confundem muita gente: o que vale para uma viagem dentro do Brasil é diferente do que a Polícia Federal exige para sair do país, e desde 2020 existe a opção de fazer tudo online pela AEV (Autorização Eletrônica de Viagem). Abaixo eu organizo o que está valendo em junho de 2026, separando viagem nacional, internacional e a autorização eletrônica. Como isso envolve regra legal que muda, trato como ponto de partida: confirme sempre no cartório, no site do CNJ e na Polícia Federal antes de viajar.

Viagem nacional (dentro do Brasil)

Para viagem dentro do Brasil, a regra base é o ECA combinado com a Resolução CNJ nº 295/2019, e o recorte é a idade de 16 anos. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 anos pode viajar para fora da comarca onde mora desacompanhada dos pais ou responsáveis sem autorização. A partir de 16 anos completos, o adolescente pode viajar sozinho em território nacional sem autorização de ninguém, bastando portar documento oficial com foto.

Na prática, para o menor de 16 anos: viajando com pai e mãe (ou o responsável legal), não precisa de papel nenhum; viajando com apenas um dos pais, também não precisa de autorização do outro para a viagem nacional. Já se a criança vai desacompanhada ou com um terceiro (babá, amigo da família, professor), aí precisa de autorização escrita: ela pode viajar acompanhada de parente maior até o terceiro grau (avô, tio, irmão maior) com o parentesco comprovado por documento, ou de qualquer pessoa autorizada por escrito pelos pais com firma reconhecida em cartório.

Viagem internacional

Sair do Brasil é mais rígido. Para viagem internacional, a Polícia Federal exige autorização sempre que o menor de 18 anos viajar sem um dos pais ou sozinho. Os cenários são: viajando com pai e mãe, nada é preciso; viajando com apenas um dos pais, é obrigatória a autorização do outro genitor; viajando com um terceiro ou desacompanhado, é obrigatória a autorização de ambos os pais. Diferente da viagem nacional, aqui a faixa de 16-17 anos não é dispensada: até completar 18, a regra vale.

O formato exigido: autorização impressa em duas vias, assinada com firma reconhecida em cartório. Uma via é conferida no check-in da companhia aérea e a outra fica retida pela Polícia Federal no embarque. Se a autorização não trouxer prazo, vale por dois anos. A criança também precisa levar documento de identificação com foto e, para sair do país, passaporte válido (e visto, quando o destino exigir). O formulário-padrão está nos sites da Polícia Federal, do Itamaraty e do CNJ.

AEV: a autorização eletrônica de viagem

O grande avanço dos últimos anos é a AEV, Autorização Eletrônica de Viagem, criada pelo Provimento CNJ nº 103/2020 e emitida pela plataforma e-Notariado, do Colégio Notarial do Brasil. Ela serve tanto para viagem nacional quanto internacional de menores de 16 anos que vão viajar sozinhos ou só com um dos responsáveis, e substitui o papel com firma reconhecida por um documento digital com QR Code, verificável online. Um ponto importante que eu faço questão de deixar claro, porque vejo muita informação errada: a AEV é uma alternativa, não uma obrigação, a autorização impressa no modelo tradicional continua plenamente válida. O que é obrigatório, em qualquer caminho, é o reconhecimento de firma em cartório: em decisão de 2025, o CNJ confirmou que a assinatura simples do Gov.br não vale para autorização de viagem de menor.

Na prática: os pais abrem o pedido na área do cidadão do site e-notariado.org.br (ou pelo aplicativo), preenchem os dados da criança e da viagem, escolhem nacional ou internacional e fazem o reconhecimento de firma, por videoconferência com o tabelião ou indo ao cartório. Não é gratuita: o cartório cobra a taxa de reconhecimento de firma por cada responsável que autoriza. Como é norma de cartório e pode variar, confirme valores e o passo a passo atual no e-Notariado antes de contar com ela para a viagem.

  • Viagem nacional, menor de 16 com os dois pais (ou com um deles): não precisa de autorização, só documento com foto.
  • Viagem nacional, menor de 16 desacompanhado ou com terceiro: autorização escrita com firma reconhecida (ou parente até 3º grau com parentesco comprovado).
  • Viagem internacional com só um dos pais: autorização do outro genitor, em 2 vias, firma reconhecida em cartório.
  • Viagem internacional desacompanhado ou com terceiro: autorização dos dois pais, em 2 vias, firma reconhecida.
  • Leve sempre o documento de identificação com foto e, para o exterior, o passaporte válido (e visto, se o destino exigir).
  • A assinatura simples do Gov.br não vale: precisa ser reconhecimento de firma em cartório ou a AEV pelo e-Notariado.

Meu checklist antes de comprar a passagem em milhas

Antes do checklist, o óbvio que trava muita gente: se você ainda não tem passaporte (ou o seu venceu), resolva isso primeiro, reuni a taxa, o prazo e o passo a passo da emissão em um guia próprio.

Junto tudo num roteiro prático. É isto que eu rodo, nesta ordem, antes de emitir o bilhete, porque descobrir um problema de documento depois de gastar as milhas é frustração garantida:

  1. Passaporte: está válido e com pelo menos 6 meses de folga além da data de volta? Se não, emito um novo antes de qualquer coisa.
  2. Visto / autorização: o destino exige visto, eVisa ou autorização eletrônica para brasileiro? Confirmo no consulado e no Itamaraty. (EUA: visto B1/B2; Europa: por ora só passaporte; México: SAE, se confirmado.)
  3. Saúde: o destino exige CIVP (febre amarela) ou outra vacina? Se sim, me vacino com 10+ dias de antecedência e emito o certificado.
  4. Nome: o nome na reserva bate exatamente com o do passaporte? Detalhes em nome na reserva e passaporte.
  5. Viajando com criança? Menores têm regras próprias (autorização de viagem, documentos). Veja voar com criança e bebê.
  6. Dinheiro e conexão: resolvo cartão e câmbio (cartão para usar no exterior) e internet (eSIM na viagem), não são documento, mas entram no mesmo planejamento.

É um guia para você saber o que perguntar e onde confirmar, não um substituto da fonte oficial. Documento de viagem é assunto sério e mutável; quando bater dúvida, a palavra final é sempre da Polícia Federal, do consulado do país, do Itamaraty e dos órgãos oficiais de cada governo.

Verificado em junho de 2026. Regras de passaporte, visto, ETIAS/EES, ESTA e vacinação mudam com frequência e por decisão dos governos, os números e prazos aqui são uma referência datada, não uma garantia. Confirme a regra vigente na fonte oficial (Polícia Federal, consulado/embaixada do destino, Itamaraty, União Europeia e Departamento de Estado dos EUA) antes de viajar. Conteúdo informativo, não é aconselhamento jurídico nem migratório.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de ETA para entrar no Reino Unido?

Sim. Desde 2025 o Reino Unido exige a ETA (autorização eletrônica) de brasileiros em viagem de turismo, solicitada e paga online antes do embarque. Custa £20, vale por dois anos ou até o passaporte expirar, e cada pessoa precisa da sua. Solicite só no canal oficial, gov.uk/eta ou no app oficial UK ETA.

Quem tem passaporte italiano ou europeu precisa de ETA no Reino Unido?

Precisa. Depois do Brexit, o passaporte da União Europeia não isenta: europeus também passaram a precisar da ETA para entrar no Reino Unido. A exceção mais comum é para residentes legais da Irlanda dentro da Common Travel Area.

Preciso de ETA só para fazer conexão em Londres?

Se a conexão for airside, sem passar pelo controle de imigração (hoje em Heathrow e Manchester), por ora não é exigida ETA. Mas essa isenção é descrita como temporária e pode mudar, e qualquer conexão em que você passe pela imigração exige a ETA. Confirme com a companhia e no gov.uk antes de viajar.

Brasileiro precisa de ETIAS para viajar à Europa em 2026?

Não. Em agosto de 2026 o ETIAS ainda não está em vigor e ficou sem data: a União Europeia retirou do site oficial a previsão de último trimestre de 2026 e diz apenas que a data exata será anunciada com meses de antecedência (já adiado várias vezes). Por enquanto, brasileiro entra no Espaço Schengen só com o passaporte válido, por até 90 dias em cada 180, mas, se for viajar no fim de 2026, confira o status antes. Quando entrar em vigor, o ETIAS custará € 20 e será uma autorização prévia (não um visto). Confirme o status atual em travel-europe.europa.eu antes de viajar.

Brasileiro pode entrar nos EUA com ESTA?

Não. O passaporte brasileiro não é elegível ao ESTA, porque o Brasil não faz parte do Visa Waiver Program. Para os EUA, o brasileiro precisa de visto americano (B1/B2 para turismo/negócios), com entrevista consular, taxa de US$ 185 e validade que costuma ser de 10 anos. O ESTA só serve a quem tem uma segunda cidadania de país isento. Confirme tudo no site oficial dos Consulados dos EUA no Brasil.

Tem uma nova taxa de US$ 250 no visto americano, além dos US$ 185?

Sim, foi criada. Em julho de 2025, os Estados Unidos aprovaram a Visa Integrity Fee, uma taxa de US$ 250 que se soma aos US$ 185 do visto B1/B2 e é cobrada quando o visto é aprovado e emitido, não na hora de solicitar. Como o Brasil não está no Visa Waiver, o visto do brasileiro está entre os afetados. Em 2026, porém, a cobrança ainda está sendo escalonada consulado a consulado, sem data única para todos os postos: alguns já cobram, outros ainda não. Trate os US$ 250 como um custo provável e confirme o valor total no site oficial dos Consulados dos EUA no Brasil. A taxa é, em tese, reembolsável para quem cumpre todas as regras do visto, mas o próprio governo americano diz que o processo de devolução deve levar anos para funcionar na prática.

Quanto tempo demora para tirar o passaporte e quanto custa?

Em maio de 2026, a taxa do passaporte comum é de R$ 257,25 e o prazo de entrega é de 6 a 10 dias úteis após o atendimento presencial na Polícia Federal, sem contar o tempo até conseguir agendar, que varia por cidade. A validade é de 10 anos para adultos. Confirme os valores e prazos atuais no gov.br/Polícia Federal.

Meu passaporte precisa de 6 meses de validade?

Muitos países exigem que o passaporte tenha validade mínima de seis meses além da data de saída deles, não basta estar válido no dia do voo. Não é uma regra universal, mas é tão comum que eu trato como padrão: se faltam menos de seis meses para vencer, emito um novo antes de comprar a passagem. Confirme a exigência exata no consulado do seu destino.

O que é o EES europeu e preciso fazer algo antes?

O EES (Entry/Exit System) é o novo controle de fronteira da Europa, em operação progressiva desde outubro de 2025 e plenamente operacional em 10 de abril de 2026. Ele substitui o carimbo no passaporte por um registro digital com biometria (foto e impressões digitais) coletada na chegada. Não há nada para solicitar com antecedência e não tem custo, só chegue com tempo extra no aeroporto, porque a primeira passagem pode ser mais lenta.

Brasileiro precisa de visto para o México?

A regra mudou: em fevereiro de 2026, o México restabeleceu a autorização eletrônica (SAE) para brasileiros que chegam por via aérea a turismo ou negócios, pedido online, com taxa (na faixa de US$ 10) e validade para uma entrada de até 180 dias. Há isenções (quem tem residência ou visto válido de EUA, Canadá, Schengen, Reino Unido ou Japão). Como é regra recente e em ajuste, confirme no portal oficial mexicano e no consulado antes de viajar.

Quando preciso do certificado de febre amarela (CIVP)?

Alguns países exigem o CIVP (Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia) contra a febre amarela, especialmente destinos na África e em partes das Américas. Ele é gratuito (emitido pelo gov.br), tem validade vitalícia e só passa a valer 10 dias após a vacina, então não deixe para a última hora. Leve a versão impressa e confira a exigência do seu destino com antecedência.

Preciso de autorização para viajar com meu filho dentro do Brasil?

Não. Se a criança ou adolescente menor de 16 anos viaja acompanhada dos dois pais, ou de apenas um deles, dentro do território nacional não é preciso autorização nenhuma, basta levar documento oficial com foto. A autorização escrita (com firma reconhecida) só entra quando o menor de 16 viaja desacompanhado ou com um terceiro. A partir de 16 anos completos, o adolescente pode viajar sozinho no Brasil sem autorização. Regra base: ECA e Resolução CNJ 295/2019 (verificado em junho de 2026; confirme antes de viajar).

E para viajar só com a mãe ou só com o pai para o exterior?

Aí precisa, sim. Para sair do Brasil, quando o menor de 18 anos viaja com apenas um dos pais, a Polícia Federal exige autorização do outro genitor, impressa em duas vias e com firma reconhecida em cartório (ou feita pela AEV eletrônica). Você apresenta uma via no check-in e a outra fica retida pela PF no embarque. Sem a autorização do genitor ausente, o embarque internacional é barrado. Não esqueça do passaporte válido da criança (e do visto, se o destino exigir).

Como faço a autorização eletrônica de viagem (AEV)?

A AEV é feita pela plataforma e-Notariado (site e-notariado.org.br ou aplicativo), do Colégio Notarial do Brasil, e vale para viagem nacional e internacional. Você abre o pedido na área do cidadão, preenche os dados do menor e da viagem, escolhe a validade e faz o reconhecimento de firma, por videoconferência com o tabelião ou presencialmente no cartório. Ela substitui o papel, mas não é obrigatória (o modelo impresso continua válido) nem gratuita: o cartório cobra a taxa de reconhecimento de firma por responsável. A assinatura simples do Gov.br não substitui esse reconhecimento.

Global Entry: a fila rápida nos EUA (com um porém para brasileiros agora)

O Global Entry é o programa do governo americano que faz você passar pela imigração dos Estados Unidos em minutos, em quiosques ou por reconhecimento facial, em vez de encarar a fila comum, que pode levar de meia hora a mais de duas. De quebra, inclui o TSA PreCheck, que agiliza a inspeção de segurança nos voos domésticos dentro dos EUA. Para quem viaja aos Estados Unidos com frequência, economiza muito tempo.

O porém, importante e datado: o Brasil faz parte do programa desde 2022, mas as inscrições novas de brasileiros estão suspensas. A alfândega americana (CBP) pausou a aceitação de novas adesões do Brasil por uma pendência técnica na integração entre os dois governos, e até junho de 2026 elas seguiam fechadas. Quem já foi aprovado antes continua usando normalmente; quem ainda não tem não consegue se inscrever agora, e não há data oficial de reabertura.

Na prática: se você já tem o Global Entry, aproveite. Se ainda não tem, acompanhe a reabertura no site oficial do CBP (ttp.cbp.dhs.gov) antes de planejar, e desconfie de qualquer serviço que prometa acelerar a sua inscrição enquanto o programa está fechado para o Brasil. Quando reabrir, o caminho é: ter visto americano válido, criar conta no TTP, pagar a taxa (na casa de US$ 120, válida por 5 anos) e fazer a entrevista. Atualizo esta seção quando o status mudar.

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