Como ganhar pontos comprando seguro viagem (Livelo, Esfera)
Todo viajante que faz milhas conhece a sensação de procurar onde gastar para acumular pontos. Mas existe um gasto que você provavelmente já vai ter de qualquer jeito, e que muita gente paga sem ganhar nada por isso: o seguro viagem. Ele é exigido para entrar na Europa e é uma proteção básica em qualquer destino. Comprado pelo caminho certo, esse mesmo seguro vira uma camada extra de pontos, sem você pagar um centavo a mais. É o tipo de acúmulo mais inteligente que existe: o que sai de uma despesa inevitável.
O que é (e por que o seguro viagem é uma despesa que vale pontuar)
A ideia é simples e se apoia em duas coisas que já existem. A primeira é que o seguro viagem é, na prática, obrigatório ou fortemente recomendado: o Espaço Schengen (boa parte da Europa) exige seguro com pelo menos € 30 mil de cobertura em despesas médicas, e mesmo onde não é exigido, viajar sem proteção contra uma emergência hospitalar no exterior é um risco que poucos deveriam correr. Ou seja: para muitas viagens, comprar seguro não é uma escolha, é uma linha de gasto que vai acontecer.
A segunda é que os programas de pontos brasileiros mantêm portais de compras bonificadas, o que chamamos de shopping de pontos. São vitrines da Livelo e da Esfera por onde você passa antes de comprar em uma loja parceira, ganhando pontos por real gasto. Entre esses parceiros estão seguradoras e corretoras de seguro viagem. Juntando as duas pontas, uma despesa que ia sair de qualquer forma passa a render pontos, e os pontos viram a sua próxima viagem.
Vale separar de cara dois assuntos que costumam se confundir. Esta página é sobre comprar um seguro para acumular pontos. Ela é diferente do seguro que já vem incluso em alguns cartões premium, esse benefício do plástico tem regras próprias e está explicado no guia do seguro do cartão. Os dois podem até conviver, mas resolvem coisas distintas.
Como funciona o acúmulo (portal + cartão)
O acúmulo acontece em duas camadas que se somam na mesma compra. Entender a separação é o que faz a estratégia render.
- Pontos do portal (o multiplicador). Você entra no shopping de pontos do seu programa, clica na seguradora parceira, é redirecionado para o site dela e contrata o seguro por ali. O programa registra essa passagem e credita uma quantidade de pontos por real gasto. É essa camada que ganha multiplicadores generosos em campanha.
- Pontos do cartão (o de sempre). Como você paga o seguro com um cartão de crédito, o seu cartão de milhas acumula normalmente, do jeito que acumularia em qualquer compra. Essa camada é independente do portal e acontece mesmo que você esqueça de passar pela vitrine, mas, sem o portal, é só ela que você ganha.
Quais seguradoras costumam aparecer nesses portais? As mais recorrentes são Assist Card, Porto Seguro, Coris e HERO Seguros, entre outras corretoras que entram e saem conforme a campanha. O acúmulo-base costuma ficar em uma faixa de 1 a 5 pontos por real, mas em campanhas de compras bonificadas esse número sobe bastante, é comum ver ofertas na casa de 10, 12 ou até 15 pontos por real em seguro viagem internacional. Quem é assinante de clube de pontos (Clube Livelo, por exemplo) frequentemente recebe um patamar um pouco maior que o público geral.
Sobre o crédito dos pontos: a regra geral é que a sua conta no programa esteja ativa e que o seguro seja contratado com o mesmo CPF cadastrado no programa de pontos. Os pontos do portal não caem na hora, costumam ser creditados algumas semanas depois da compra (na casa de até 30 dias, dependendo do parceiro). E, como em todo portal, a compra precisa ser finalizada na mesma sessão em que você saiu da vitrine, paga em reais. Cada campanha tem seu regulamento: confira as condições exatas no portal antes de contratar.
Quanto rende (a conta)
Um exemplo numérico deixa o ganho concreto. Os valores abaixo são hipotéticos, só para ilustrar o mecanismo, o multiplicador real depende da campanha do dia.
Imagine um seguro viagem internacional de R$ 300, contratado pelo portal numa campanha de 5 pontos por real:
- Pontos do portal: R$ 300 × 5 = 1.500 pontos.
- Pontos do cartão: além disso, o cartão usado para pagar acumula a sua proporção normal por dólar/real gasto. Some essa camada por cima.
- Total: 1.500 pontos do portal mais os pontos do cartão, sobre um gasto que você já ia ter de qualquer maneira.
1.500 pontos parece pouco ou muito? Depende de quanto vale o seu milheiro. Em uma campanha mais agressiva, de 15 pontos por real, o mesmo seguro de R$ 300 renderia 4.500 pontos do portal. Para saber o que esses pontos representam em reais e se compensam, jogue o número na calculadora do milheiro, ela mostra quanto vale o que você acumulou e ajuda a comparar com o custo do seguro.
Cuidados: a cobertura vem primeiro (YMYL)
Aqui está o ponto que separa a estratégia inteligente da furada. Seguro viagem é proteção de saúde: a hora de usá-lo é exatamente a pior hora possível da sua viagem. Então a regra é inegociável, escolha o seguro pela cobertura, não pelos pontos. Os pontos são um bônus sobre uma decisão que você tomaria de qualquer jeito; eles nunca devem ditar qual apólice você compra.
- Confira a cobertura mínima do destino. Para o Espaço Schengen, o piso é de € 30 mil em despesas médicas, válido por todo o período da viagem, e você precisa conseguir comprovar isso na imigração. Para destinos com custo hospitalar alto, como os Estados Unidos, coberturas mais altas fazem sentido.
- Leia o que está coberto e o que não está. Despesas médicas e hospitalares, bagagem, atraso e cancelamento de voo, doenças preexistentes, esportes, idade do viajante, tudo varia por apólice. O seguro mais barato (ou o que mais pontua) pode deixar de fora justo o que você precisa.
- Compare antes pelo preço e pela cobertura, depois veja o multiplicador. A ordem certa é: definir a apólice adequada e o preço justo e, só então, verificar se aquela seguradora está no portal com uma boa campanha. Comprar uma cobertura pior só porque ela rende mais pontos é trocar segurança por um punhado de milhas.
- Os números mudam. Multiplicadores, parceiros e regras de crédito são voláteis e variam por campanha. Trate qualquer número citado aqui como referência, não como garantia, e confirme tudo no portal e no site da seguradora antes de fechar.
E não confunda esta compra com o seguro que já pode vir incluso no seu cartão. Se você tem um cartão premium com seguro viagem de bandeira, talvez nem precise contratar um à parte, vale checar a cobertura desse benefício no guia do seguro do cartão antes de gastar com uma apólice nova só para pontuar.
Vale a pena?
Quando o seguro já estava no seu plano de viagem, vale quase sempre. O esforço é mínimo, alguns cliques a mais para passar pelo portal antes de contratar, e o retorno é uma camada de pontos sobre uma despesa que ia existir de qualquer forma. Em uma campanha de multiplicador alto, um seguro internacional pode render milhares de pontos numa única compra. É exatamente o tipo de hábito que, repetido a cada viagem, soma um volume relevante sem mudar nada no que você consome.
O que não vale é deixar os pontos comandarem a decisão. Contratar uma cobertura inadequada para ganhar mais milhas, ou comprar um seguro que você não precisaria só porque há uma boa campanha, destrói qualquer ganho, o ponto nunca cobre o risco de uma emergência mal protegida no exterior. A sequência sensata é a de sempre no mundo das milhas: a necessidade primeiro, o acúmulo como bônus. Defina a apólice certa, pague com um bom cartão de milhas, passe pelo shopping de pontos no caminho e confira o resultado na calculadora do milheiro.
Conteúdo informativo, não é recomendação de seguro. Escolha a apólice pela cobertura, não pelos pontos. Multiplicadores, parceiros e regras de crédito dos portais mudam com frequência, confirme sempre no portal e no site da seguradora antes de comprar. Verificado em maio de 2026.