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O que conta como bagagem de mão (e o que é item pessoal)
Antes de qualquer medida, prefiro separar dois conceitos que muita gente embola no balcão. A bagagem de mão (ou mala de bordo) é a malinha que vai no compartimento sobre as poltronas. O item pessoal é o volume menor que cabe embaixo do assento à sua frente: uma mochila, uma bolsa, uma pasta de notebook. São duas cotas diferentes, e quase toda tarifa dá direito às duas — ou pelo menos ao item pessoal.
Recomendo tratar o item pessoal como seu cofre de viagem. É nele que coloco passaporte, carteira, celular, remédios e eletrônicos. Como ele vai sempre comigo, embaixo do banco, não corre o risco de ser despachado de última hora se faltar espaço na cabine — coisa que pode acontecer com a mala de bordo. As franquias mudam e cada companhia tem a sua tabela, então confira sempre no site da empresa antes de viajar; aqui eu trabalho com as faixas que costumam valer em 2026.
Regras domésticas no Brasil: Azul, GOL e LATAM
Para voos dentro do Brasil, as três grandes convergiram em torno de um mesmo gabarito de tamanho: a bagagem de mão costuma respeitar 55 x 35 x 25 cm, sempre incluindo rodinhas, alça e bolsos externos. O item pessoal fica numa faixa um pouco menor (em geral algo entre 40 x 30 x 15 cm e 45 x 35 x 20 cm, dependendo da companhia), para caber embaixo do assento.
Onde elas se diferenciam hoje é no peso. A Azul em geral trabalha com 10 kg na mala de bordo. GOL e LATAM passaram a aceitar até 12 kg — mas com uma ressalva importante: esse limite maior vale para bilhetes emitidos a partir de outubro de 2025. Se você comprou antes disso, o teto pode continuar sendo 10 kg. Vale conferir a regra que está amarrada ao seu bilhete específico, porque ela acompanha a data de emissão, não a data do voo.
Outro ponto que mudou com as tarifas mais enxutas: na LATAM, a tarifa mais básica de alguns voos internacionais inclui apenas o item pessoal, sem mala de bordo. No doméstico, em geral as três ainda entregam mala de bordo + item pessoal na maioria das tarifas, mas como isso varia por promoção e rota, confirme o que está incluso antes de fechar a compra.
Voos internacionais: cada companhia, uma régua
No internacional a história muda de figura, porque não existe um padrão único. A American Airlines costuma usar 56 x 36 x 23 cm (a famosa medida em polegadas, 22 x 14 x 9), com mala de bordo e item pessoal gratuitos até na econômica básica em voos dentro dos EUA — mas atenção: em rotas transatlânticas, a tarifa básica costuma liberar só o item pessoal.
Entre as europeias, Air France e KLM usam a mesma política: bagagem de mão de 55 x 35 x 25 cm, com o conjunto (mala + item pessoal) podendo somar até 12 kg na econômica. A TAP trabalha com uma mala um pouco mais estreita e mais leve, em torno de 55 x 40 x 20 cm e 8 kg na econômica, mais um item pessoal pequeno. A Iberia costuma permitir uma mala maior, na faixa de 56 x 40 x 25 cm, mas o limite de peso na econômica varia conforme a fonte e o tipo de tarifa — e voos regionais operados por parceiras menores derrubam essas medidas. Como são números que mudam e dependem da tarifa, da rota e até de quem opera o voo, eu sempre confiro a franquia exata no site da companhia antes de fechar a mala.
A pegadinha das rodinhas: por que a mala estoura o gabarito
Aqui está o erro que mais vejo gente cometer. As medidas de bagagem de mão consideram o tamanho total da mala — rodinhas, alça retrátil e bolsos externos inclusos. Muita mala é anunciada como "de bordo" medindo só o corpo rígido; quando você soma os 3 ou 4 cm das rodinhas e mais um par de centímetros da alça, ela passa do gabarito.
E o gabarito não é um detalhe teórico: é aquela caixa metálica no portão e no balcão. Se a mala não entra ali, você despacha e paga — mesmo numa tarifa que inclui bagagem de mão. Por isso, na hora de medir a sua mala em casa, meça com as rodinhas e a alça, não só o corpo. Se ela ficar no limite, prefiro um modelo um ou dois centímetros menor: a margem de segurança vale o espaço que você abre mão.
O que vai na mão e nunca despacha
Tem uma lista curta de itens que eu jamais coloco na mala despachada, por segurança e por regra. O principal é o power bank. Desde abril de 2026, a ANAC proíbe carregadores portáteis na bagagem despachada: eles só podem viajar na bagagem de mão, no máximo 2 por pessoa, e não podem ser usados nem recarregados durante o voo. Modelos até 100 Wh estão liberados sem autorização; acima disso (até 160 Wh) é preciso autorização prévia da companhia. A mesma lógica vale para qualquer item com bateria de lítio solta — baterias sobressalentes vão na cabine, com os terminais protegidos para não encostar em chave ou moeda.
Junto com o power bank, mantenho na mão os eletrônicos (notebook, câmera, fones), os documentos, as chaves e os remédios de uso contínuo, com a receita por perto se for líquido. Se a mala atrasar ou se perder, você não quer que seja justamente o seu remédio ou o seu passaporte que ficou para trás. Para voos internacionais, lembre da regra dos líquidos: frascos de até 100 ml, todos dentro de um saco plástico transparente de no máximo 1 litro, que precisa sair da mala e ser apresentado separado no raio-X. Remédios líquidos, leite materno e comida de bebê são exceções, em quantidade compatível com a viagem.
Como não pagar a mais (e despachar no check-in, não no portão)
A forma mais simples de não pagar bagagem extra é planejar a cota antes de comprar: olhe se a tarifa inclui mala de bordo ou só item pessoal, e compare o preço da passagem "cheia" com o da passagem básica + taxa de despacho. Muitas vezes a básica só compensa para quem viaja com bem pouca coisa. Se você sabe que vai despachar, comprar a franquia online, antes do aeroporto, costuma sair bem mais barato do que pagar no balcão.
E vai aqui a dica que pode te poupar dor de cabeça: se a sua mala não couber ou você precisar despachar, faça isso no check-in, com calma, e não no portão. O despacho de última hora no portão (quando falta espaço na cabine) é feito na correria, com etiqueta colada na pressa, e aí aumenta o risco de a mala ir para o lugar errado ou se perder. Outra proteção boa: deixe os itens de valor sempre no item pessoal, embaixo do assento — esse volume não está sujeito a despacho compulsório. Por fim, se um voo seu atrasar, for cancelado ou a bagagem extraviar, vale conhecer seus direitos do passageiro para saber o que cobrar da companhia. As franquias e taxas mudam com frequência, então confirme os valores no site da empresa antes de viajar.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho da bagagem de mão permitido?
No Brasil, o padrão mais comum é 55 x 35 x 25 cm, sempre incluindo rodinhas, alça e bolsos externos. Nas internacionais varia: a American usa cerca de 56 x 36 x 23 cm, a TAP fica em torno de 55 x 40 x 20 cm e a Iberia chega a 56 x 40 x 25 cm. Como as medidas mudam por companhia e por tarifa, confirme no site da empresa antes de viajar.
Quanto pode pesar a bagagem de mão?
No doméstico brasileiro o peso varia: a Azul costuma trabalhar com 10 kg, enquanto GOL e LATAM passaram a aceitar até 12 kg em bilhetes emitidos a partir de outubro de 2025 (bilhetes mais antigos seguem no teto de 10 kg). Nas internacionais o limite muda de novo, indo de cerca de 8 kg na TAP a 12 kg na Air France e KLM. Os valores mudam, então confira a regra do seu bilhete.
O que é considerado item pessoal?
É o volume menor que cabe embaixo do assento à sua frente: uma mochila, uma bolsa ou uma pasta de notebook. Costuma seguir uma medida entre 40 x 30 x 15 cm e 45 x 35 x 20 cm, dependendo da companhia. Quase toda tarifa dá direito a ele, e em algumas tarifas econômicas básicas internacionais ele é a única bagagem gratuita.
As rodinhas e a alça contam na medida da bagagem?
Sim, e é aí que a maioria das malas estoura o gabarito. As medidas de bagagem de mão consideram o tamanho total: corpo da mala mais rodinhas, alça retrátil e bolsos externos. Por isso, na hora de medir a sua mala em casa, meça com as rodinhas e a alça incluídas. Se ela ficar no limite, prefira um modelo um ou dois centímetros menor.
Posso levar power bank no avião?
Pode, mas só na bagagem de mão. Desde abril de 2026, a ANAC proíbe carregadores portáteis na bagagem despachada. Cada passageiro pode levar no máximo 2 power banks, que não podem ser usados nem recarregados durante o voo. Modelos de até 100 Wh estão liberados sem autorização; entre 100 Wh e 160 Wh é preciso autorização prévia da companhia. As regras podem mudar, então confira antes de embarcar.
Como evito pagar por bagagem extra?
Planeje a cota antes de comprar: veja se a tarifa inclui mala de bordo ou só item pessoal e compare o preço da passagem cheia com o da básica mais a taxa de despacho. Se for despachar, comprar a franquia online costuma sair mais barato do que pagar no balcão. E meça a mala com rodinhas e alça em casa, para não ser surpreendido no gabarito do aeroporto.
É melhor despachar a mala no check-in ou no portão de embarque?
No check-in, sempre que possível. O despacho de última hora no portão, quando falta espaço na cabine, é feito na correria e com etiqueta colada às pressas, o que aumenta o risco de a mala ir para o lugar errado ou se perder. Deixe os itens de valor no item pessoal, embaixo do assento, que não está sujeito a despacho compulsório.
Qual a regra de líquidos na bagagem de mão internacional?
Em voos internacionais, cada líquido deve estar em frasco de até 100 ml, e todos os frascos precisam caber dentro de um saco plástico transparente de no máximo 1 litro, que sai da mala e é apresentado separado no raio-X. Remédios líquidos com receita, leite materno e comida de bebê são exceções, em quantidade compatível com a duração da viagem.
Vai despachar mala? Veja também o guia de bagagem despachada: franquia, peso e quanto custa em cada companhia.
Parte do guia Antes de viajar: documentos, câmbio e direitos →



