Ásia

Tailândia: guia de viagem com pontos e milhas

O templo Wat Arun iluminado ao pôr do sol, à beira do rio Chao Phraya, em Bangkok
Rota principal
São Paulo GRU
Econômica 95–150k (por trecho, via Doha)
Executiva 180–280k (por trecho, via Doha)
Sem voo direto do Brasil. Conexão única até Bangkok (BKK) via Doha (Qatar), Dubai (Emirates), Abu Dhabi (Etihad) ou Lisboa (TAP + parceiro). Em milhas, a Qatar (oneworld) é a ponte mais usada: LATAM Pass, Avios ou Qatar Privilege Club.

Melhor época para ir Novembro a fevereiro (estação seca e fresca). Ilhas do Andaman: novembro a abril. Norte (Chiang Mai): vá até fevereiro — de fevereiro a abril é a temporada de queimadas, com qualidade do ar perigosa.

A Tailândia é a porta de entrada mais sedutora do Sudeste Asiático: combina os templos dourados e a energia de Bangkok, a comida de rua mais celebrada do mundo, praias de paredões calcários no sul e o ritmo mais lento de Chiang Mai, no norte. Para o viajante brasileiro de milhas, é também um dos melhores usos de um resgate longo, voar deitado até a Ásia rende muito mais que pagar em dinheiro.

Não há voo direto do Brasil: o caminho é uma conexão única em Bangkok, em geral pelo Oriente Médio (Doha, Dubai, Abu Dhabi) ou por Lisboa. A Qatar Airways, da aliança oneworld, é a ponte mais usada por quem emite em milhas, com a Qsuite entre as melhores executivas do mundo, veja a estratégia de cabine na área de executiva e primeira classe.

Abaixo organizo o que recomendo no país, da capital às ilhas e ao norte, cada lugar como uma parada com o que tem de melhor: o que fazer, onde ficar, onde comer e as dicas práticas que evitam dor de cabeça.

Praias que recomendo

Railay Beach

Península de Railay, Krabi, Tailândia

Península de Railay, em Krabi, isolada do continente por paredões de calcário e acessível apenas por barco de cauda longa. Conhecida pelas praias de areia branca, pelas águas do mar de Andaman e por ser um dos principais destinos de escalada do Sudeste Asiático. Recomendada por viajantes como ponto alto de quem viaja pelo sul da Tailândia.

O que recomendo fazer

Grande Palácio e Templo do Buda de Esmeralda (Wat Phra Kaew)

Na Phra Lan Road, Phra Nakhon, Bangkok, Tailândia

O conjunto que define Bangkok: antiga residência real do século XVIII ao XX, com o reverenciado Buda de Esmeralda esculpido em um único bloco de jade. É a visita mais concorrida da cidade — chegue na abertura. Código de vestimenta levado a sério: ombros e joelhos cobertos, tornozelos inclusive.

Wat Pho (Templo do Buda Reclinado)

Sanam Chai Road, Phra Nakhon, Bangkok, Tailândia

Um dos templos mais antigos e amplos de Bangkok, a poucos passos do Grande Palácio. O Buda reclinado, banhado a ouro, tem 46 metros — os pés revestidos de madrepérola valem o detalhe. É também o berço da massagem tradicional tailandesa, ensinada ali até hoje; dá para fazer uma sessão no próprio complexo.

Wat Arun (Templo do Amanhecer)

158 Thanon Wang Doem, Bangkok Yai, Bangkok, Tailândia

Na margem oeste do rio Chao Phraya, é o templo mais fotogênico de Bangkok, com a prang central revestida de cacos de porcelana que cintilam ao sol. Cruze de barco a partir do Wat Pho (poucos baht) e suba os degraus íngremes para a vista do rio. Volte no fim da tarde: iluminado, ao pôr do sol, é outro espetáculo.

Mercado de Fim de Semana de Chatuchak

Kamphaeng Phet 2 Road, Chatuchak, Bangkok, Tailândia

O maior mercado de rua da Tailândia: mais de 15 mil bancas em 27 setores, de roupa e cerâmica a arte e antiguidades. Abre só sábado e domingo (9h às 18h) — vá cedo, antes do calor e da multidão. Leve dinheiro vivo, pechinche com bom humor e use o metrô (estação Mo Chit ou Chatuchak Park) para evitar trânsito.

Wat Phra That Doi Suthep

Doi Suthep, Chiang Mai, Tailândia

O templo-símbolo de Chiang Mai, a 15 km da cidade, no alto de uma montanha a cerca de 1.070 m. Suba os 306 degraus da escadaria das naga (ou use o funicular) até o chedi dourado e a vista do vale. Ingresso simbólico para estrangeiros; chegue cedo para luz boa e menos gente.

Wat Chedi Luang

Prapokklao Road, cidade velha, Chiang Mai, Tailândia

No coração da cidade velha murada de Chiang Mai, abriga o maior chedi (estupa) da cidade, erguido no século XV e parcialmente arruinado por um terremoto — a silhueta meio incompleta é justamente o charme. Ao entardecer, é um dos melhores lugares para um monk chat informal com os monges. Combine com os templos vizinhos a pé.

Maya Bay (Ilha Phi Phi Leh)

Ilha Phi Phi Leh, Província de Krabi, Tailândia

A enseada de paredões calcários eternizada no cinema, dentro do Parque Nacional Mu Ko Phi Phi. Reabriu com regras rígidas: cota de visitantes, desembarque pela praia traseira e proibido nadar dentro da baía (só andar na água até os joelhos). Taxa para estrangeiros e FECHADA de 1º de agosto a 1º de outubro de 2026 para recuperação — programe-se.

Praia de Railay

Península de Railay, Província de Krabi, Tailândia

Península em Krabi cercada de falésias calcárias, acessível só de barco (10 a 15 min de long-tail de Ao Nang). Railay West tem o pôr do sol; Phra Nang, uma das praias mais bonitas do país. É meca mundial da escalada esportiva, com vias para todos os níveis e operadores locais que alugam equipamento.

Onde recomendo ficar

Mandarin Oriental, Bangkok

48 Oriental Avenue, Bang Rak, Bangkok, Tailândia

A grande dama à beira do Chao Phraya, aberta em 1876 e ainda referência de serviço na cidade. Peça uma varanda para o rio e cruze de barco do hotel ao Wat Arun. Atenção ao ângulo de milhas: é hotel independente, não pertence às grandes redes, então não rende nem resgata pontos — vale pela experiência, não pelo programa.

JW Marriott Phuket Resort & Spa

Mai Khao Beach, Thalang, Phuket, Tailândia

Resort de praia em Mai Khao, no norte de Phuket, a cerca de 15 min do aeroporto e longe do agito de Patong — ótimo para famílias e para quem quer relaxar. Para o viajante de pontos, é o trunfo da lista: categoria 6 do Marriott Bonvoy, com diária-prêmio em torno de 40 a 60 mil pontos (varia por temporada; confira no app).

Rayavadee

214 Moo 2, Ao Nang, Krabi, Tailândia

Refúgio de pavilhões em Krabi, escondido entre falésias e três praias acessíveis só por barco (vizinho da praia de Phra Nang). Luxo de natureza, não de rede — não acumula pontos das grandes bandeiras. Nota prática: há obras pontuais previstas para 2026 (piscina principal e um restaurante fechados por volta de agosto-setembro), então confirme o que estará aberto na sua data.

Onde recomendo comer

Jay Fai

327 Maha Chai Road, Phra Nakhon, Bangkok, Tailândia

A lendária senhora dos óculos de mergulho que cozinha no wok em fogo de carvão na calçada de Bangkok e ganhou uma estrela Michelin (mantida no guia 2026). O prato-assinatura é a omelete de caranguejo (khai jeaw poo), recheada e cara para padrões de rua, mas única. Espera longa; tente reservar com antecedência.

Sorn

56 Soi Sukhumvit 26, Khlong Toei, Bangkok, Tailândia

O primeiro restaurante da Tailândia a alcançar três estrelas Michelin (mantidas no guia 2026), dedicado inteiramente à cozinha do SUL do país. O chef Supaksorn Jongsiri resgata receitas quase perdidas com ingredientes sustentáveis e cocção lenta. Menu-degustação caro e disputado; reserve com semanas de antecedência.

Gaggan

68/1 Soi Langsuan, Pathum Wan, Bangkok, Tailândia

O templo da gastronomia progressista indiana do chef Gaggan Anand: mais de 20 pratos teatrais servidos em atos, com luz e trilha sonora, num balcão de poucos lugares. Voltou ao Guia Michelin 2026. Reserva só pelo site do restaurante e costuma esgotar com cerca de um mês de antecedência; confirme as datas, pois o chef planejava uma pausa para reformular o conceito.

Khao Soi Mae Sai

29/1 Ratchaphuek Road, Si Phum, Chiang Mai, Tailândia

Para provar o prato-símbolo de Chiang Mai — o khao soi, macarrão em curry cremoso de coco com frango ou carne e macarrão crocante por cima — sem mistério: casa simples, premiada com o Bib Gourmand no Guia Michelin 2026. Tigela barata, fila no horário de almoço; leve dinheiro vivo.

Dicas da Tailândia

Como ir do aeroporto ao centro: Tailândia (Bangcoc)

Do Suvarnabhumi, eu pego o Airport Rail Link: ~26 a 30 min por 35 a 45 baht (~R$6 a 7) até Makkasan/Phaya Thai, com baldeação para metrô e BTS. Táxi com taxímetro sai por volta de 400 baht (~R$63) com pedágios, em 30 a 50 min conforme o trânsito. Use sempre o táxi metered da fila oficial.

O golpe da pedra preciosa e do tuk-tuk

Desconfie de qualquer estranho simpático que diga que um templo está fechado hoje (o Grande Palácio quase nunca fecha) e ofereça um tuk-tuk baratíssimo para um passeio. O roteiro termina sempre em loja de pedras ou alfaiate, com pressão para comprar gemas falsas ou superfaturadas com promessa de revenda lucrativa. Verificado e ainda comum em 2026: ignore e siga para a bilheteria oficial.

Use o Grab em vez de táxi de rua

Para transporte em Bangkok, Chiang Mai e Phuket, o app Grab dá preço fixo antecipado e corrida rastreada, evitando o taxímetro quebrado e a recusa de ligar o medidor. Em Bangkok, combine com o BTS (Skytrain) e o MRT (metrô), que fogem do trânsito notório da cidade, rápidos, baratos e com ar-condicionado.

Resolva a internet com um eSIM

Um eSIM ativado antes de embarcar evita a fila de SIM no aeroporto e já te deixa online ao pousar, essencial para Grab, mapas e o QR do TDAC. As operadoras locais (AIS, TrueMove H) têm cobertura ampla; planos de turista com dados generosos por poucos dólares são fáceis de achar. Confirme que seu celular aceita eSIM antes de comprar.

Etiqueta em templos: ombros e joelhos cobertos

Templos e o Grande Palácio exigem ombros e joelhos cobertos (no Grande Palácio, pernas até o tornozelo); tire os sapatos ao entrar nos santuários e nunca aponte os pés para imagens de Buda. Leve um lenço ou sarongue na bolsa para improvisar. Mulheres não devem tocar em monges. As regras de vestimenta são levadas a sério e barram a entrada.

Como encaixar Bangkok, sul e norte sem perder tempo

As distâncias enganam: o país é grande e o trânsito atrapalha, então use voos domésticos baratos (AirAsia, Nok, Thai Lion, Bangkok Airways) entre Bangkok, Chiang Mai e o sul. Para as ilhas do Andaman, voe para Phuket ou Krabi e siga de barco; Phi Phi fica convenientemente entre as duas. No norte, vá até fevereiro para fugir da fumaça das queimadas.

Perguntas frequentes

Como ir do Brasil para a Tailândia e dá para usar milhas?

Não há voo direto: a viagem é com uma conexão até Bangkok (BKK), em geral via Oriente Médio (Qatar por Doha, Emirates por Dubai, Etihad por Abu Dhabi) ou via Europa (TAP por Lisboa + parceiro). Em milhas, a Qatar (oneworld) é a ponte mais usada: emite-se em LATAM Pass (rotas LATAM+Qatar com origem no Brasil), Avios ou Qatar Privilege Club. Disponibilidade e tabelas mudam; pesquise com antecedência.

Brasileiro precisa de visto para a Tailândia em 2026?

Não para turismo. Verificado em junho de 2026: Brasil e Tailândia têm um acordo bilateral histórico que isenta brasileiros de visto por até 90 dias por entrada, e esse prazo segue valendo em 2026, mesmo com o país reduzindo a isenção geral de 60 para 30 dias para a maioria das nacionalidades (regra separada do acordo brasileiro). É obrigatório passaporte válido por 6+ meses e preencher o Thailand Digital Arrival Card (TDAC), online e gratuito, até 72h antes de chegar. Confirme no site oficial antes de viajar.

Qual a melhor época para visitar a Tailândia?

De novembro a fevereiro, a estação seca e fresca, é a melhor janela geral. As ilhas do Andaman (Phuket, Krabi, Phi Phi) ficam ótimas de novembro a abril, com pico em dezembro e janeiro. Para Chiang Mai e o norte, vá até o fim de fevereiro: de meados de fevereiro a abril ocorre a temporada de queimadas, com fumaça agrícola e qualidade do ar perigosa.

Quantos dias são suficientes para um bom roteiro?

De 10 a 14 dias para combinar com calma Bangkok, uma ilha do sul e Chiang Mai. Com 7 a 8 dias, dá para fazer Bangkok mais uma única região (sul ou norte) sem correria. Como as distâncias são grandes, conte com voos domésticos entre as bases para não perder dias na estrada.

Como combinar Bangkok com as ilhas e o norte?

Use Bangkok como porta de entrada (chegada e saída internacional) e voe nos trechos internos: voos domésticos baratos ligam Bangkok a Chiang Mai (norte) e a Phuket/Krabi (sul) em 1h a 1h30. Para as ilhas, voe a Phuket ou Krabi e siga de barco, Phi Phi fica convenientemente entre as duas. Um encaixe comum: Bangkok, ilhas do sul, Chiang Mai e volta a Bangkok.

A Tailândia é segura? Quais golpes evitar?

O país é, no geral, seguro para turistas, e os problemas mais comuns são golpes, não violência. Fique atento ao golpe da pedra preciosa e do tuk-tuk barato e ao truque do templo fechado hoje perto do Grande Palácio (ele quase nunca fecha). Use Grab em vez de táxi de rua, prefira casas de câmbio confiáveis e cuidado com aluguel de moto sem seguro. Confira alertas atualizados antes de viajar.