África

Egito

Econômica 120–160k (por trecho, via Europa ou Oriente Médio)
Executiva 200–280k (por trecho, via Europa ou Oriente Médio)

Eu trato o Egito como uma viagem de planejamento, não de improviso. Começo quase sempre por Cairo e Gizé: as Pirâmides e a Esfinge merecem uma manhã inteira, de preferência cedo, e o novo Grande Museu Egípcio (GEM), aberto por completo desde novembro de 2025, pede outro meio período só para a coleção de Tutancâmon. Reservo ainda um tempo para o Cairo Islâmico e o bazar de Khan el-Khalili, onde gosto de me perder entre as bancas e tomar um chá ao fim da tarde.

A espinha dorsal do roteiro, para mim, é o cruzeiro pelo Nilo entre Luxor e Aswan. Em três ou quatro noites dá para ver Karnak e o Vale dos Reis em Luxor, os templos de Edfu e Kom Ombo no caminho, e o templo de File em Aswan. Abu Simbel, no extremo sul, costuma ser um passeio à parte, com saída de madrugada de Aswan (de carro em comboio ou em voo curto). Confirme com a operadora como Abu Simbel está sendo operado na sua data, porque a logística muda de tempos em tempos.

Depois da imersão histórica, o Mar Vermelho é o meu descanso premiado. Hurghada é prática para day boats e famílias; Sharm el-Sheikh dá acesso aos paredões de Ras Mohammed; e Marsa Alam tem enseadas calmas e recifes preservados. O mergulho e o snorkel funcionam o ano todo, mas eu miro março–maio ou setembro–novembro, quando o mar tende a ficar mais calmo e a visibilidade melhor. A água costuma variar entre 21°C e 30°C ao longo do ano.

Em segurança e logística eu sou conservador e recomendo o mesmo a quem me pergunta. O trânsito do Cairo é intenso e a sinalização turística é limitada, então combino transfer do aeroporto e contrato guia/egiptólogo licenciado em vez de andar por conta nos sítios arqueológicos. Para o Nilo e Abu Simbel, prefiro operador estabelecido e cruzeiro organizado. Vale acompanhar as orientações de viagem do governo brasileiro e do Itamaraty antes de embarcar, porque recomendações sobre regiões específicas mudam.

Praias que recomendo

Hurghada (Mar Vermelho)

Hurghada, Governadoria do Mar Vermelho

Base prática do Mar Vermelho para quem quer combinar praia, day boats e mergulho com facilidade. Recomendo para famílias e para um primeiro contato com os recifes egípcios. Os melhores meses de visibilidade e mar calmo, na minha experiência, são março–maio e setembro–novembro.

Sharm el-Sheikh (Mar Vermelho)

Sharm el-Sheikh, Península do Sinai

Minha escolha quando o foco é mergulho de parede: é a porta de entrada para Ras Mohammed e tem a baía abrigada de Shark's Bay. Águas mais transparentes que as de Hurghada em média. Resorts grandes e estrutura de mergulho consolidada; confirme transfers e excursões com a casa de mergulho.

Marsa Alam (Mar Vermelho)

Marsa Alam, Governadoria do Mar Vermelho

Para quem quer recifes preservados, enseadas calmas e menos multidão, é a opção que eu mais gosto no Mar Vermelho. Bom para snorkel tranquilo e para ver tartarugas e dugongos em pradarias de capim marinho, como nas baías de Abu Dabbab e Marsa Mubarak. Mais isolada, então combine transfer do aeroporto com antecedência.

O que recomendo fazer

Pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge

Al Haram, Giza, Governadoria de Gizé

É o motivo número um de quase todo mundo ir ao Egito, e ainda assim me surpreendeu ao vivo. Eu recomendo chegar logo na abertura para fugir do calor e das multidões, contratar guia licenciado e decidir com calma se vale o ingresso extra para entrar dentro de uma das pirâmides (espaço apertado e quente). Negocie qualquer passeio de camelo ou cavalo com preço fechado antes de subir.

Grande Museu Egípcio (GEM)

Alexandria Desert Road, Kafr Nassar, Al Haram, Gizé

Aberto por completo desde novembro de 2025, ao lado de Gizé, é hoje o lugar onde recomendo ver a coleção integral de Tutancâmon, a grande escadaria e o átrio monumental. Reservo pelo menos meio período aqui e compro ingresso com antecedência, já que a bilheteria passou a ser só online e com horário marcado. Confirme horários e bilheteria oficial antes de ir, porque a operação ainda está se ajustando após a abertura.

Museu Egípcio (Praça Tahrir)

Praça Tahrir, Centro, Cairo

O museu histórico do centro do Cairo segue aberto mesmo após a inauguração do GEM. Gosto dele pelo acervo do Império Médio, do Período Tardio e greco-romano. As múmias reais não estão mais aqui (foram para o Museu Nacional da Civilização Egípcia, o NMEC), então alinhe a expectativa: o forte agora é a profundidade da coleção, não Tutancâmon.

Cairo Islâmico e Khan el-Khalili

El-Gamaleya, Cairo

Meu programa de fim de tarde favorito no Cairo: caminhar pela rua Al-Muizz, ver as mesquitas e madrassas medievais e me perder no bazar de Khan el-Khalili. Pechinchar faz parte, e eu fecho preço antes. Cuidado com bolso e celular na aglomeração, e respeite o traje ao entrar em mesquitas (ombros e joelhos cobertos).

Karnak e Templo de Luxor

El-Karnak, Luxor

Em Luxor, o complexo de Karnak é a coisa mais monumental que vi no Egito depois das pirâmides: a Sala Hipostila com suas colunas gigantes impressiona. Combino com o Templo de Luxor, que eu prefiro visitar ao entardecer, quando acende a iluminação. Guia faz muita diferença aqui para entender as camadas de história.

Vale dos Reis

Margem Oeste, Luxor

Na margem oeste de Luxor, é onde estão as tumbas escavadas na rocha de faraós como Ramsés e Tutancâmon. O ingresso padrão dá direito a algumas tumbas; outras (como a de Tutancâmon) custam à parte. Vá cedo, leve água e proteção solar, porque faz muito calor e há fila. Fotografia às vezes exige bilhete extra: confirme na entrada.

Templos de Abu Simbel

Abu Simbel, Governadoria de Aswan

Os dois templos de Ramsés II, resgatados do lago Nasser, são para mim o ponto alto do sul do Egito. Costuma ser um passeio à parte saindo de Aswan, com partida de madrugada (de carro em comboio ou em voo curto). Vale o esforço, mas confirme com a operadora como Abu Simbel está sendo operado na sua data, porque a logística e os horários mudam.

Templo de File (Philae), Aswan

Ilha de Agilkia, Aswan

Dedicado a Ísis, fica numa ilha e se chega de barco, o que já torna a visita especial. É um dos templos mais bem preservados que vi e fecha bem o trecho de Aswan num cruzeiro pelo Nilo. À noite há espetáculo de som e luz; é opcional e divide opiniões, então decida sem pressa.

Onde recomendo ficar

Marriott Mena House

6 Pyramids Road, Giza

É o hotel que eu mais recomendo em Gizé pela vista: um antigo palácio com jardins e quartos voltados diretamente para as Pirâmides. Acordar com a Grande Pirâmide na janela é uma experiência que justifica a diária. Peça expressamente um quarto com vista para as pirâmides (Pyramid View) na reserva, porque nem todos têm.

Four Seasons Hotel Cairo at Nile Plaza

1089 Corniche El Nil, Garden City, Cairo

Para quem quer ficar no centro com serviço impecável e vista do Nilo, é a minha escolha de topo no Cairo. A localização em Garden City facilita ir ao museu de Tahrir e à orla. Diárias altas, mas o padrão de serviço e o conforto compensam para uma ocasião especial.

Sofitel Cairo Nile El Gezirah

3 El Thawra Council St, Zamalek, Cairo

Fica na ponta da ilha de Gezira, cercado pelo Nilo dos dois lados, o que rende vistas 360º que eu adoro ao pôr do sol. Boa pedida para quem quer Nilo e proximidade de Zamalek. Confirme se vai querer quarto com vista para o rio, que é o grande atrativo.

The Nile Ritz-Carlton, Cairo

1113 Corniche El Nil, Cairo

Um clássico da orla do Nilo, vizinho do Museu Egípcio de Tahrir. Recomendo para quem prioriza localização central e quer caminhar até os pontos do Centro. Serviço de marca, piscina agradável e quartos com vista para o rio quando disponível.

Sofitel Winter Palace Luxor

Corniche El Nil, Luxor

Em Luxor, é o hotel histórico à beira do Nilo que eu recomendo para encerrar ou abrir o trecho do cruzeiro com charme. Jardins enormes e atmosfera de outra época, a poucos passos do Templo de Luxor. Ótimo para quem quer uma noite em terra firme com conforto antes ou depois do barco.

Steigenberger Resort (Hurghada, Mar Vermelho)

Hurghada, Governadoria do Mar Vermelho

No Mar Vermelho eu prefiro resorts pé na areia com recife próprio para snorkel, e a Steigenberger atende bem essa função em Hurghada. Bom para combinar mergulho e descanso depois do roteiro histórico. Confira na reserva o regime (all-inclusive é comum na região) e o acesso ao recife ou casa de mergulho.

Onde recomendo comer

Khan El Khalili Restaurant & Naguib Mahfouz Café

5 El-Badistan Lane, Khan el-Khalili, Cairo

Dentro do bazar de Khan el-Khalili, é o lugar onde gosto de fazer uma pausa com pratos egípcios clássicos (kofta, koshari, tâmeya) num ambiente arabescante operado pelo grupo Oberoi. Costuma haver consumo mínimo por pessoa e a casa enche; recomendo reservar e ir com fome depois de caminhar pelo mercado.

Zooba (Zamalek)

16 26th of July St, Zamalek, Cairo

Minha indicação para comida de rua egípcia bem feita e com higiene de restaurante: koshari, tâmeya e hawawshi numa versão moderna e colorida. Fica em Zamalek, é informal e justo no preço. Ótimo para quem quer experimentar os sabores locais sem o risco de barraca de rua.

Felfela

15 Hoda Shaarawy St, Centro, Cairo

Um clássico do Centro do Cairo desde os anos 1960, que eu recomendo para uma primeira imersão na cozinha egípcia: falafel, koshari, ful e saladas a preço honesto, em ambiente descontraído. Não espere requinte, e sim comida tradicional consistente num endereço fácil de chegar.

Abou El Sid (Zamalek)

157 26th of July St, Zamalek, Cairo

Quando quero jantar egípcio tradicional num ambiente mais caprichado, é aqui que vou. Molokhia, pombo recheado e pratos da memória afetiva local servidos num cenário retrô-egípcio. Recomendo reservar, porque é popular entre moradores e turistas.

Dicas de Egito

Como chegar e se locomover: transfer e guia antes de tudo

Não há voo direto do Brasil para o Cairo (CAI): a viagem é sempre com conexão, em geral por Doha (Qatar Airways), Istambul (Turkish Airlines), Dubai (Emirates) ou por um hub europeu. O trânsito do Cairo é caótico e a sinalização turística é limitada, então eu combino transfer do aeroporto antes de embarcar e contrato guia/egiptólogo licenciado para os sítios. Para táxi ou aplicativo, prefiro deixar o trajeto e o preço acordados de antemão. Regras e operações mudam: confirme tudo com o hotel ou a operadora pouco antes da viagem.

Documentos: visto e vacina sem deixar para a última hora

Brasileiro precisa de visto de turista. Eu resolvo o e-Visa online (entrada única em torno de US$ 30) antes de viajar para não depender da fila do visto na chegada, que também subiu para cerca de US$ 30 em março de 2026. Igualmente importante: o Egito exige o certificado de febre amarela (CIVP) de quem chega do Brasil; tome a dose com pelo menos 10 dias de antecedência e leve impresso, porque a falta dele barra embarque ainda no Brasil. Valores e exigências mudam: confirme nos canais oficiais antes de comprar a passagem.

Cruzeiro pelo Nilo: o coração do roteiro

O trecho que eu mais recomendo é o cruzeiro entre Luxor e Aswan, de 3 a 4 noites, que cobre Karnak, o Vale dos Reis, Edfu, Kom Ombo e File com egiptólogo a bordo. Abu Simbel costuma ser passeio à parte, com saída de madrugada de Aswan. Prefiro operador estabelecido e cabine com janela ou varanda. Confirme o roteiro exato, o que está incluído e como Abu Simbel será operado na sua data antes de fechar.

Melhor época: calor, Nilo e Mar Vermelho

Para o Cairo e o Nilo, eu evito o pico do verão (junho a agosto), quando o calor no Alto Egito é intenso; outubro a abril é mais confortável para os sítios arqueológicos. Para mergulho no Mar Vermelho, miro março–maio e setembro–novembro, quando o mar tende a ficar mais calmo e a visibilidade melhor. A água costuma variar de 21°C a 30°C ao longo do ano. As condições mudam de ano para ano: cheque a previsão perto da viagem.

Dinheiro, gorjetas e bazar

Leve dólares em espécie para trocar e para gorjetas (baksheesh), que fazem parte da cultura e são esperadas por guias, motoristas e tripulação do cruzeiro. Cartão funciona em hotéis e restaurantes maiores, mas tenha dinheiro local (libra egípcia) para o dia a dia e no bazar, onde pechinchar é regra. Combine sempre o preço antes de qualquer passeio de camelo, foto ou serviço informal nos sítios.

Roupas, sol e respeito cultural

O Egito é um país de maioria muçulmana: em mesquitas e no Cairo Islâmico eu visto roupas que cubram ombros e joelhos, e mulheres levam um lenço para a cabeça quando necessário. Nos sítios arqueológicos, o sol é forte o ano todo, então uso chapéu, protetor solar e levo bastante água. Calçado fechado e confortável ajuda muito no terreno irregular das pirâmides e templos.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de visto para o Egito?

Sim. O brasileiro precisa de visto de turista. Dá para fazer o e-Visa online (entrada única em torno de US$ 30) ou pegar o visto na chegada no aeroporto, que também subiu para cerca de US$ 30 em março de 2026. Eu prefiro o e-Visa antecipado para não depender de fila. Valores e regras mudam, então confirme no portal oficial do governo egípcio antes de comprar a passagem.

Precisa de vacina de febre amarela para entrar no Egito?

Sim, para quem chega do Brasil. O Egito exige o Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) de febre amarela de viajantes vindos de países com risco, e o Brasil está nessa lista. Tome a dose com pelo menos 10 dias de antecedência e leve o certificado impresso, porque a falta dele costuma barrar o embarque ainda no Brasil. Confirme as exigências atualizadas antes de viajar.

Quantas milhas custa uma passagem do Brasil para o Cairo?

Não existe voo direto, então a emissão depende do hub. Em programas brasileiros, a econômica costuma sair na faixa de 120k a 160k milhas por trecho via Europa ou Oriente Médio (com Turkish, Qatar, Emirates ou parceiros), e a executiva, de 200k a 280k. Os programas costumam classificar o Egito como Oriente Médio, o que afeta o preço. As tabelas mudam com frequência: confirme no app do seu programa antes de emitir.

O Grande Museu Egípcio já está aberto?

Sim. O Grande Museu Egípcio (GEM), em Gizé, abriu por completo em novembro de 2025, com acesso à coleção integral de Tutancâmon, à grande escadaria e ao átrio monumental. O antigo Museu Egípcio da Praça Tahrir continua aberto, com outro acervo, e as múmias reais ficam no Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC). A bilheteria do GEM passou a ser só online e com horário marcado, então confirme horários e ingresso oficial antes de ir.

Vale a pena fazer cruzeiro pelo Nilo ou dá para ver tudo por terra?

Na minha opinião, o cruzeiro entre Luxor e Aswan é a melhor forma de ver os templos do Alto Egito (Karnak, Vale dos Reis, Edfu, Kom Ombo e File) sem perder tempo com deslocamentos. Costuma durar de 3 a 4 noites, com egiptólogo a bordo. Abu Simbel geralmente é passeio à parte saindo de Aswan. Prefira operador estabelecido e confirme o roteiro e o que está incluído antes de fechar.

O Egito é seguro para turistas?

Os principais polos turísticos (Cairo, Gizé, Luxor, Aswan e o Mar Vermelho) recebem viajantes o ano todo, mas eu sou conservador: organizo transfers e passeios com operador estabelecido, ando com guia licenciado nos sítios e fico atento a bolso e celular nas aglomerações. Recomendo acompanhar as orientações de viagem do governo brasileiro e do Itamaraty antes de embarcar, porque as recomendações sobre regiões específicas mudam.

Qual a melhor época para visitar o Egito?

Para o Cairo e o Nilo, eu prefiro de outubro a abril, fugindo do calor intenso do verão no Alto Egito. Para mergulho e praia no Mar Vermelho, miro março–maio e setembro–novembro, quando o mar tende a ficar mais calmo e a visibilidade melhor. A água do Mar Vermelho costuma variar de 21°C a 30°C ao longo do ano. As condições mudam de ano para ano, então cheque a previsão perto da viagem.

Como funciona o transfer e o transporte dentro do Egito?

Não há voo direto do Brasil: a chegada é com conexão por Doha, Istambul, Dubai ou Europa até o aeroporto do Cairo (CAI). O trânsito do Cairo é caótico, então eu combino transfer do aeroporto e contrato guia para os passeios em vez de circular por conta. Para trechos longos (Cairo–Luxor–Aswan) há voos domésticos e trens-leito. Confirme transfers, horários e preços com o hotel ou a operadora pouco antes da viagem.