Istambul é a única megalópole que se espalha por dois continentes: o lado europeu e o lado asiático, separados pelo estreito de Bósforo, ligados por pontes e por uma rede de balsas que para mim é meio caminho do passeio. Já foi Constantinopla, capital do Império Bizantino, e depois centro do Império Otomano, e essa dupla herança aparece em tudo, basílicas que viraram mesquitas, palácios, bazares cobertos. Para o brasileiro, ela ficou bem mais acessível desde que a Turkish Airlines passou a voar direto de Guarulhos para o aeroporto novo (IST), hoje um dos maiores hubs de conexão do planeta. Eu recomendo reservar pelo menos três ou quatro dias inteiros: é cidade enorme, e tentar fazer tudo num pulo só cansa e rende pouco.
Na hora de escolher onde ficar, eu penso em dois lados. Sultanahmet, na península histórica do lado europeu, é onde está concentrado o miolo turístico: Santa Sofia, a Mesquita Azul, o Palácio Topkapı, a Cisterna da Basílica e o Grande Bazar ficam quase todos a poucos minutos de caminhada uns dos outros, e o que está mais longe se resolve de bonde ou metrô. É a base que eu costumo indicar para quem vem pela primeira vez e quer maximizar tempo nos monumentos. Do outro lado do Corno de Ouro fica Beyoğlu, com o bairro de Taksim e a Torre de Gálata: é a Istambul moderna, das ruas de pedestres, cafés, bares e vida noturna, melhor para quem prefere agito a monumentos logo na porta. Atravessar de um lado para o outro pela Ponte de Gálata, a pé ou de bonde, é parte da experiência.
Vale entender o papel de hub da Turkish Airlines, porque ele muda o cálculo da viagem. A companhia conecta o mundo inteiro por Istambul, e mantém o programa Turkish Stopover: se a sua conexão tem escala longa na cidade, a partir de cerca de 20 horas, você pode ganhar hotel de cortesia, uma noite em hotel 4 estrelas na econômica e duas noites em categoria superior na executiva, com transporte de e para o aeroporto incluído. Na prática, dá para emendar uns dias em Istambul de graça a caminho da Europa ou da Ásia. As regras e o que está incluído mudam de tempos em tempos, então eu recomendo conferir as condições direto com a companhia antes de montar o itinerário em cima disso.
Sobre comida, Istambul é onde eu indico encarar a cozinha turca de verdade: o café da manhã turco (kahvaltı) com queijos, azeitonas, pães e ovos, os kebabs e o cordeiro grelhado, os mezes para dividir, o peixe fresco do Bósforo e os doces como baklava e o sorvete dondurma. O Bazar das Especiarias é bom para provar delícias turcas, castanhas e temperos. Istambul é uma cidade relativamente tranquila para o tamanho que tem, mas, como em qualquer destino muito turístico, eu recomendo atenção com carteiras e celular nas áreas cheias do Grande Bazar e de Sultanahmet, negociar preço sempre antes de fechar qualquer compra ou táxi, e desconfiar de abordagens excessivamente simpáticas perto dos pontos turísticos.
O que recomendo fazer
Santa Sofia (Ayasofya)
Sultan Ahmet, Ayasofya Meydanı, Fatih, Istambul
Para mim é a visita que melhor resume Istambul e uma das que eu mais recomendo. Foi basílica bizantina, depois mesquita otomana, depois museu, e desde 2020 voltou a funcionar como mesquita — o que significa que a entrada principal de oração é gratuita, mas há regras de vestimenta e horários fechados durante as orações. Recomendo ir cedo, levar lenço para cobrir a cabeça (mulheres) e roupa que cubra ombros e joelhos, e calçar algo fácil de tirar, já que se entra descalço nas áreas de tapete. Como há também um ingresso pago para a galeria superior, e as regras de acesso vêm mudando, confirme o que está aberto e o que se paga no site oficial antes de ir.
Mesquita Azul (Sultanahmet Camii)
Sultan Ahmet, Atmeydanı Cd. 7, Fatih, Istambul
Bem em frente à Santa Sofia, a Mesquita Azul é uma mesquita do início do século XVII, famosa pelos seis minaretes e pelos milhares de azulejos azuis de Iznik no interior, que dão o apelido. Eu gosto de indicá-la justamente por estar a poucos passos da Santa Sofia, dá para ver as duas na mesma manhã. Como é um templo em uso, a entrada é gratuita, mas fecha para turistas durante as cinco orações diárias; vale chegar fora desses horários. Mesmas regras de vestimenta: ombros e joelhos cobertos, lenço na cabeça para mulheres e sapatos na mão para entrar nos tapetes.
Palácio Topkapı
Cankurtaran, Fatih, Istambul
O Topkapı foi a residência dos sultões otomanos por séculos, um conjunto de pátios, pavilhões e jardins sobre o Bósforo, com vista para o ponto onde o estreito encontra o Corno de Ouro e o Mar de Mármara. Eu recomendo reservar pelo menos meia manhã e somar o Harém, a ala mais bonita, que hoje já entra incluída no ingresso principal. O Tesouro Imperial, com joias e relíquias, também é parada obrigatória. Recomendo comprar o ingresso com antecedência em alta temporada, porque a fila na bilheteria pode ser longa; confira valores e horários no site oficial dos museus.
Cisterna da Basílica (Yerebatan Sarnıcı)
Alemdar, Yerebatan Cd. 1/3, Fatih, Istambul
A poucos metros da Santa Sofia, a Cisterna da Basílica é um reservatório de água subterrâneo do século VI, com centenas de colunas iluminadas refletidas na água e as famosas cabeças de Medusa na base de duas delas. É uma das atrações que eu mais gosto de indicar pelo contraste: fresca, silenciosa e quase teatral depois do calor e do movimento lá fora. Recomendo comprar ingresso com horário marcado, porque entra um número limitado de pessoas por vez e a fila à porta costuma ser grande. Confirme horários no site oficial.
Grande Bazar (Kapalıçarşı)
Beyazıt, Kalpakçılar Cd. 22, Fatih, Istambul
O Grande Bazar é um dos maiores mercados cobertos do mundo, um labirinto de milhares de lojas sob arcos pintados, vendendo tapetes, cerâmica, lâmpadas, ouro, couro e lembranças. Eu indico encará-lo mais como experiência do que como compra obrigatória: vale entrar para sentir o ambiente, mesmo que você não compre nada. Recomendo pechinchar sempre, comparar antes de fechar e ficar de olho na carteira e no celular, porque é cheio. Fecha aos domingos e nos feriados religiosos; vá com tempo para se perder de propósito.
Bazar das Especiarias (Mısır Çarşısı)
Rüstem Paşa, Erzak Ambarı Sok. 92, Fatih, Istambul
Também chamado de Mercado Egípcio, o Bazar das Especiarias fica perto do porto de Eminönü e é menor e mais focado que o Grande Bazar: temperos coloridos em montanhas, chás, castanhas, frutas secas, doces turcos e delícias turcas para provar. Eu gosto de indicá-lo justamente para comer e comprar comida, é um ótimo lugar para levar lembrança comestível. Recomendo combinar com um passeio pela Ponte de Gálata, ali ao lado, e provar antes de comprar — a maioria das bancas oferece amostras.
Cruzeiro pelo Bósforo
Embarques em Eminönü, Kabataş ou Beşiktaş, Istambul
Um passeio de barco pelo Bósforo é a forma que eu mais recomendo para entender a geografia de Istambul: você vê os dois continentes ao mesmo tempo, passa por palácios à beira d'água, fortalezas, pontes e as mansões de madeira (yalıs) na margem. Há desde as balsas públicas baratas, que já valem o passeio, até cruzeiros turísticos de uma ou duas horas e jantares a bordo. Eu costumo indicar começar pelas balsas oficiais saindo de Eminönü ou Kabataş pelo preço; quem quer roteiro guiado escolhe um cruzeiro privado. Recomendo o fim da tarde, pela luz.
Torre de Gálata
Bereketzade, Galata Kulesi, Beyoğlu, Istambul
Do outro lado do Corno de Ouro, no bairro de Beyoğlu, a Torre de Gálata é uma torre de pedra medieval, de origem genovesa, com um terraço no alto que dá a vista panorâmica que eu acho a mais bonita da cidade: a península histórica de um lado, o Bósforo do outro. Recomendo subir no fim da tarde para o pôr do sol, mas avise que a fila do elevador pode ser longa nesse horário. Combina bem com uma caminhada pela região de Gálata e pela rua İstiklal, em Taksim. Confira horários e ingresso no site oficial dos museus.
Onde recomendo ficar
Seven Hills Hotel
Tevkifhane Sok. 8/A, Sultanahmet, Fatih, Istambul
Em Sultanahmet, logo atrás da Santa Sofia, eu costumo indicar o Seven Hills para quem quer ficar dentro do miolo histórico e ver os principais monumentos a pé. É um hotel boutique cujo grande trunfo é o restaurante no rooftop, com vista aberta para a Santa Sofia, a Mesquita Azul e o Bósforo — vale subir mesmo para quem não está hospedado. Por ficar na península histórica, deixa Santa Sofia, Mesquita Azul, Topkapı e Cisterna da Basílica a poucos minutos de caminhada. Boa escolha para quem prioriza localização e charme de bairro a rede grande.
Four Seasons Istanbul at Sultanahmet
Tevkifhane Sok. 1, Sultanahmet, Fatih, Istambul
Para quem quer luxo dentro do miolo histórico e costuma usar pontos de rede, eu indico o Four Seasons de Sultanahmet, instalado num prédio que já foi prisão otomana, a passos da Santa Sofia e da Mesquita Azul. É hotel pequeno para o padrão da marca, o que dá um ar exclusivo, e a localização é imbatível para fazer todo o circuito histórico a pé. Escolha de quem quer comemorar algo especial ou queimar diárias premium num ponto central. Há também uma unidade da rede à beira do Bósforo, mais afastada dos monumentos.
Sirkeci Mansion
Taya Hatun Sok. 5, Sirkeci, Fatih, Istambul
Em Sirkeci, ainda na península histórica e a uma caminhada de Sultanahmet, eu gosto de indicar o Sirkeci Mansion como bom intermediário: hotel familiar, bem avaliado, com piscina coberta e café da manhã turco caprichado. Fica ao lado da estação histórica de Sirkeci, antiga ponta do Expresso do Oriente, com bonde à porta que leva direto aos monumentos. Boa base para quem quer ficar no centro histórico sem pagar preço de hotel de grife e prefere atendimento mais pessoal.
The Marmara Taksim
Taksim Meydanı, Beyoğlu, Istambul
Para quem prefere a Istambul moderna, no lado de Beyoğlu, eu indico o The Marmara Taksim, um clássico bem em cima da Praça Taksim, na entrada da rua de pedestres İstiklal. É hotel grande, com vista para o Bósforo dos andares altos, e fica no coração da vida noturna, dos bares e dos cafés. Boa escolha para quem quer agito, transporte fácil pelo metrô e bonde e não se importa de ficar um pouco mais longe dos monumentos de Sultanahmet, que se resolvem de metrô ou táxi.
Georges Hotel Galata
Serdar-ı Ekrem Cd. 24, Gálata, Beyoğlu, Istambul
No bairro de Gálata, em Beyoğlu, a poucos passos da Torre de Gálata, eu costumo recomendar o Georges para quem quer um boutique elegante na parte moderna, com terraço de vista para o Corno de Ouro e a península histórica. É hotel pequeno, num casarão restaurado, com ambiente mais intimista. Fica em zona de ladeiras e ruas de pedra, cheia de cafés e lojinhas de design. Boa opção para quem quer charme e vista sem ficar no miolo turístico de Sultanahmet.
Hotel Amira Istanbul
Mustafa Paşa Sok. 79, Küçük Ayasofya, Fatih, Istambul
De volta a Sultanahmet, perto da Mesquita Azul, eu indico o Amira como um boutique de bom custo-benefício e atendimento muito elogiado, com terraço de café da manhã e vista para os minaretes e para o Mar de Mármara. Fica em rua tranquila, ainda dentro do circuito histórico a pé. Boa escolha para quem quer ficar no centro histórico, ser bem cuidado e não precisa do luxo dos hotéis de grife. Como é zona de ladeiras e pedra, vale pensar na bagagem.
Onde recomendo comer
Seven Hills Restaurant
Tevkifhane Sok. 8/A, Sultanahmet, Fatih, Istambul
No rooftop do Seven Hills Hotel, em Sultanahmet, eu indico o Seven Hills Restaurant menos pela cozinha e mais pela vista: terraço aberto com a Santa Sofia, a Mesquita Azul e o Bósforo na mesma moldura, talvez o melhor panorama de restaurante do miolo histórico. O cardápio aposta em peixe fresco do Mar de Mármara e pratos turcos e internacionais. Recomendo reservar mesa na borda do terraço para o pôr do sol e tratar como ocasião especial, já que a conta acompanha a vista. Vale para um café da manhã turco com paisagem também.
No lado asiático, no mercado de Kadıköy, o Çiya Sofrası é a casa que eu mais recomendo para quem quer cozinha turca regional de verdade, longe do roteiro turístico. É um restaurante simples, no estilo self-service de panelas (lokanta), com pratos do sudeste da Anatólia que mudam todo dia, kebabs incomuns e doces que não se acham no centro. Dá uma desculpa perfeita para cruzar o Bósforo de balsa e conhecer Kadıköy, um bairro descolado. Recomendo ir no almoço, quando a variedade é maior.
Hamdi Restaurant
Rüstem Paşa, Kalçın Sok. 17, Eminönü, Fatih, Istambul
Perto do Bazar das Especiarias, em Eminönü, o Hamdi é uma referência de kebabs e cordeiro do sudeste turco, conhecido tanto pela comida quanto pelo terraço com vista para o Corno de Ouro e a Ponte de Gálata. Eu gosto de indicá-lo para um almoço farto depois de circular pelos bazares, já que fica ali ao lado. Recomendo reservar mesa no terraço com antecedência, porque a vista é disputada, e ir com fome: as porções de kebab e os mezes de entrada são generosos.
Karaköy Lokantası
Kemankeş Karamustafa Paşa, Kemankeş Cd. 37/A, Karaköy, Beyoğlu, Istambul
No bairro de Karaköy, em Beyoğlu, eu indico o Karaköy Lokantası para quem quer mezes e cozinha turca de qualidade num ambiente bonito de azulejos, que vira mais animado à noite, com clima de meyhane (a taverna turca de petiscos). É a casa que eu sugiro para uma noite de pratos para dividir, peixe e raki, a bebida anisada local. Fica perto da Ponte de Gálata e da subida para a Torre de Gálata. Recomendo reservar, porque é bastante procurado.
Van Kahvaltı Evi
Akarsu Yokuşu Cd. 23, Cihangir, Beyoğlu, Istambul
Para o café da manhã turco (kahvaltı), que para mim é um programa por si só, eu recomendo o Van Kahvaltı Evi, no bairro de Cihangir, em Beyoğlu. A casa serve o farto desjejum no estilo da cidade de Van, no leste do país: dezenas de pequenos pratos com queijos, mel com creme (kaymak), azeitonas, ovos, pães e chá preto servido em copinhos. Recomendo ir com fome, sem pressa e em grupo, para provar mais variedade, e cedo nos fins de semana, porque enche.
Dicas de Istambul
Do aeroporto ao centro: metrô M11, Havaist e táxi
O aeroporto novo de Istambul (IST) fica bem afastado da cidade, no extremo noroeste, então o trajeto até o centro costuma passar de uma hora, dependendo do destino e do trânsito. A opção mais barata é o metrô: a linha M11 sai de dentro do aeroporto e, com uma baldeação (em geral na estação Gayrettepe, para a linha M2), leva até a região histórica, para Sultanahmet, a estação de referência é Vezneciler, de onde se completa a pé ou de bonde. A alternativa sem baldeação são os ônibus Havaist, que têm linha direta para a área de Sultanahmet e param em pontos centrais; a passagem é paga com cartão. Para ir de porta a porta, sobretudo com bagagem ou chegando de madrugada, o táxi oficial e o transfer privativo compensam o conforto, combine o preço ou exija o taxímetro antes de embarcar. Atenção: existem dois aeroportos, o IST (europeu, da Turkish) e o Sabiha Gökçen (SAW, no lado asiático, de companhias de baixo custo); confira de qual você parte. Valores e linhas mudam, confirme na hora.
Turkish Stopover: hotel de cortesia na escala
Se você voa pela Turkish Airlines e tem uma conexão com escala longa em Istambul, vale conhecer o Turkish Stopover: o programa oferece hotel de cortesia para quem fica parado na cidade a partir de cerca de 20 horas e até alguns dias. Em geral, são uma noite em hotel 4 estrelas para quem viaja na econômica e duas noites em categoria superior na executiva, com transporte de e para o aeroporto incluído, sem precisar de status no programa de milhas. Na prática, dá para emendar uns dias em Istambul praticamente de graça a caminho da Europa ou da Ásia. As condições, os prazos mínimos e os hotéis disponíveis mudam de tempos em tempos, então eu recomendo conferir as regras vigentes direto com a companhia e fazer a solicitação com antecedência, antes de contar com isso no roteiro.
Sultanahmet ou Beyoğlu: onde se hospedar
A primeira decisão que eu ajudo a tomar é o lado da cidade. Sultanahmet, na península histórica, é onde estão Santa Sofia, Mesquita Azul, Topkapı, Cisterna da Basílica e o Grande Bazar, quase todos a pé, é a base que eu indico para quem vem pela primeira vez e quer maximizar tempo nos monumentos. Beyoğlu, do outro lado do Corno de Ouro, com Taksim e a Torre de Gálata, é a Istambul moderna, dos bares, cafés e vida noturna, melhor para quem prefere agito e volta tarde. Quem fica mais dias pode dividir a estadia entre os dois lados. O metrô, o bonde e as balsas conectam tudo, então nenhuma escolha deixa você isolado; é mais uma questão de o que você quer ter na porta do hotel.
Vestimenta e regras nas mesquitas
Vários dos principais pontos de Istambul são mesquitas em uso, como a Santa Sofia e a Mesquita Azul, e por isso têm regras que eu recomendo respeitar para entrar sem contratempo. Ombros e joelhos cobertos para todos; as mulheres precisam cobrir a cabeça com um lenço (muitas mesquitas emprestam na entrada); e se entra descalço nas áreas de tapete, então calçado fácil de tirar ajuda. As mesquitas fecham para turistas durante as cinco orações diárias e na oração de sexta-feira ao meio-dia, que é mais longa; vale planejar a visita fora desses horários. A entrada para orar costuma ser gratuita. Como horários e regras de acesso vêm mudando, confirme o que está aberto antes de ir.
Melhor época para ir
Eu prefiro recomendar a primavera (abril a junho) e o outono (setembro a outubro), quando o clima é ameno, bom para caminhar entre os monumentos, e a cidade está menos lotada que no auge do verão. Julho e agosto são quentes e cheios; o inverno (dezembro a fevereiro) é frio, às vezes com neve, mas tem seu charme e preços menores. Vale também ficar atento ao calendário do Ramadã, mês religioso cuja data muda todo ano: a cidade fica mais animada à noite, porém alguns serviços e horários mudam durante o dia. Como o tempo varia, confirme a previsão perto da viagem.
Dinheiro, gorjeta e pechincha
A moeda é a lira turca, e eu recomendo carregar algum dinheiro vivo para os bazares, as balsas e os pequenos comércios, ainda que cartão seja aceito na maioria dos lugares. Nos bazares, pechinchar faz parte: pergunte o preço, ofereça menos e compare entre bancas antes de fechar. Em restaurantes, uma gorjeta de cerca de dez por cento é bem recebida quando não vem incluída. Atenção a dois golpes clássicos: táxi sem taxímetro ou com trajeto inflado (combine o valor ou exija o taxímetro) e o do engraxate que deixa cair a escova para puxar conversa. Cotações e preços variam bastante, então confirme o câmbio na hora.
Perguntas frequentes
Preciso de visto para ir a Istambul?
Não, para turismo. Brasileiros têm isenção de visto para a Turquia em estadias de até 90 dias, por acordo em vigor desde 2004, válido para passaporte comum, oficial ou diplomático. Como a isenção é total, o e-Visa que aparece em alguns sites não é exigido do brasileiro para turismo nesse prazo. Você precisa de passaporte com pelo menos 150 dias de validade a partir da entrada e pode ter de mostrar passagem de volta e comprovantes de hospedagem e fundos. Quem pretende ficar mais de 90 dias precisa pedir autorização de residência antes do prazo acabar. Como as regras mudam, confirme nos canais oficiais antes de comprar a passagem.
Istambul vale a pena como parada da Turkish Airlines?
Vale, e essa é uma das grandes vantagens de voar pela Turkish. A companhia tem hub em Istambul e mantém o Turkish Stopover: quem conecta com escala longa, a partir de cerca de 20 horas, pode ganhar hotel de cortesia na cidade, em geral uma noite em 4 estrelas na econômica e duas noites em categoria superior na executiva, com transporte incluído e sem precisar de status no programa de milhas. Na prática, dá para conhecer Istambul de quebra a caminho da Europa ou da Ásia. As regras e os hotéis disponíveis mudam, então confirme as condições direto com a companhia e solicite com antecedência.
Quantos dias ficar em Istambul?
Eu costumo indicar de três a quatro dias inteiros para um primeiro contato. Com esse tempo dá para ver o essencial de Sultanahmet a pé (Santa Sofia, Mesquita Azul, Topkapı, Cisterna da Basílica e Grande Bazar), fazer um passeio de barco pelo Bósforo e ainda atravessar para Beyoğlu e a Torre de Gálata. Quem quer ritmo mais calmo, conhecer o lado asiático em Kadıköy ou usar a cidade como base para bate-voltas pode esticar para cinco ou seis dias. Quem só está de passagem por uma escala longa consegue ver o miolo histórico num dia bem aproveitado.
Qual lado da cidade é melhor para se hospedar?
Depende do que você quer ter na porta. Sultanahmet, na península histórica, deixa quase todos os grandes monumentos a pé e é o que eu mais indico para quem vem pela primeira vez. Beyoğlu, com Taksim e a Torre de Gálata, é a Istambul moderna, dos bares, cafés e vida noturna, melhor para quem prefere agito. O metrô, o bonde e as balsas conectam os dois lados com facilidade, então nenhuma escolha deixa você isolado; quem fica mais dias pode até dividir a estadia entre as duas regiões para sentir as duas caras da cidade.
Qual a melhor época para visitar Istambul?
Eu prefiro a primavera (abril a junho) e o outono (setembro a outubro), quando o clima é ameno, bom para caminhar entre os monumentos, e a cidade está menos cheia que no verão. Julho e agosto são quentes e movimentados; o inverno é frio, às vezes com neve, mas tem preços menores e menos turistas. Vale conferir o calendário do Ramadã, cuja data muda a cada ano e altera horários e o clima da cidade durante o dia. Como o tempo varia, confirme a previsão perto da viagem.
Como ir do aeroporto ao centro de Istambul?
O aeroporto novo (IST) fica afastado, então o trajeto costuma passar de uma hora. As opções mais econômicas são o metrô M11, que sai de dentro do aeroporto e chega à região histórica com uma baldeação (para Sultanahmet, a referência é a estação Vezneciler), e os ônibus Havaist, que têm linha direta para Sultanahmet sem baldeação, com pagamento por cartão. Para ir de porta a porta, com bagagem ou de madrugada, o táxi oficial ou um transfer privativo compensam, combine o preço ou exija o taxímetro antes. Atenção: há dois aeroportos, o IST (europeu, da Turkish) e o Sabiha Gökçen (SAW, asiático, de baixo custo); confira de qual você parte. Valores mudam, confirme na hora.
Quanto custa ir de São Paulo a Istambul em milhas?
Varia bastante conforme o programa, a data e a disponibilidade de assentos. Eu costumo ver a classe econômica entre 75 mil e 140 mil milhas por trecho e a executiva entre 55 mil e 110 mil por trecho, mais as taxas. A própria Turkish Airlines, no programa Miles&Smiles dela, costuma cobrar bem mais nas tarifas em milhas, então quase sempre compensa emitir o voo da Turkish por um programa parceiro, como Smiles, TAP Miles&Go, LifeMiles ou ConnectMiles, e comparar antes. Como os valores de emissão mudam o tempo todo, confirme o preço na hora de resgatar.