Europa

Sardenha

Águas turquesa cristalinas e rochas de granito rosado do litoral da Costa Smeralda, na Sardenha (Itália), vistas do alto.
Econômica 50–65k (por trecho, via Europa)
Executiva 80–150k (por trecho, via Europa)

A Sardenha que eu recomendo é menos sobre o luxo de revista da Costa Smeralda e mais sobre a água. Poucos lugares do Mediterrâneo têm essa coleção de praias de areia clara e mar que vira do turquesa ao verde dependendo da hora. Gosto de tratar a ilha como dois destinos: o nordeste mundano, de Porto Cervo e Arzachena, e o sul mais pé no chão, com Cagliari, Chia e Villasimius. Quem só conhece o cartão-postal da Costa Smeralda perde metade do que faz a ilha valer a pena.

No norte, recomendo usar Olbia como base e fazer bate-voltas de carro às praias do entorno: a Spiaggia del Principe e a Cala di Volpe concentram o glamour, mas eu mando todo mundo para San Teodoro, onde La Cinta estende mais de três quilômetros de areia fina e rasa. Mais a oeste, Alghero traz uma virada cultural inesperada, é uma cidade de herança catalã, com muralhas à beira-mar e uma língua própria, e dá acesso à Grotta di Nettuno, no alto do Capo Caccia. Bosa, com suas casas coloridas escalonando a colina sobre o rio, é a parada que mais surpreende quem espera só praia.

No sul, costumo indicar Cagliari como porta de entrada: a capital tem centro histórico medieval, anfiteatro romano e a praia urbana de Poetto a poucos minutos. Dali, recomendo descer até Chia, com suas dunas e lagoas de flamingos, e Villasimius, onde Porto Giunco tem aquele mar raso e calmo que funciona bem com crianças. Para entender a Sardenha mais antiga, vale o desvio até Su Nuraxi de Barumini, o complexo nurágico da Idade do Bronze que é Patrimônio da Humanidade.

Como monto o roteiro: para mim, carro é praticamente obrigatório, porque as praias boas ficam em estradas secundárias e o transporte público não dá conta. Com 7 a 10 dias dá para emendar norte e sul sem correria; com menos tempo, eu escolho um lado só. E reforço o aviso de temporada, agosto é quando os italianos saem de férias em peso, então preços disparam e as melhores praias enchem. Junho e setembro, na minha leitura, entregam o melhor equilíbrio entre clima e tranquilidade.

Praias que recomendo

La Pelosa (Stintino)

Stintino, noroeste da Sardenha

É a praia que eu mais associo ao 'Caribe italiano': areia branquíssima e água rasa e transparente, com a torre aragonesa ao fundo. Recomendo justamente por isso, mas com aviso: o acesso é controlado na alta temporada, com reserva antecipada e limite diário de visitantes — então não dá para aparecer de surpresa.

Spiaggia del Principe

Arzachena (Costa Smeralda), nordeste da Sardenha

Costumo indicar como o cartão-postal da Costa Smeralda: um arco de areia muito fina e clara cercado de vegetação mediterrânea, entre Porto Cervo e Porto Rotondo. É das mais bonitas do nordeste; recomendo chegar cedo, porque estaciona pouco e enche rápido no verão.

Cala Goloritzé

Baunei (Golfo di Orosei), centro-leste da Sardenha

Eleita melhor praia do mundo em 2025 por um ranking internacional de especialistas, é a que eu reservo para quem topa caminhar: chega-se por uma trilha de cerca de 1h30 a partir do planalto de Golgo. Recomendo pela água e pelo pináculo de calcário, mas lembre que a reserva é obrigatória de abril a outubro e há cobrança de acesso — confira na temporada.

Cala Luna

Entre Dorgali e Baunei (Golfo di Orosei), centro-leste

Recomendo Cala Luna pela cena clássica do Golfo di Orosei: uma meia-lua de areia clara fechada entre paredões de rocha, com grutas no fundo. Como o acesso por terra é trilha longa, costumo indicar chegar de barco saindo de Cala Gonone — é meio caminho da experiência.

Spiaggia La Cinta (San Teodoro)

San Teodoro, nordeste da Sardenha

Para mim, é a melhor pedida do nordeste para quem viaja com família: mais de três quilômetros de areia fina e branca, com mar raso por centenas de metros e uma lagoa atrás que atrai flamingos. Recomendo quando o objetivo é praia de dia inteiro, com estrutura, sem o aperto das calas pequenas.

Porto Giunco (Villasimius)

Villasimius (Capo Carbonara), sudeste da Sardenha

No sul, é a praia que costumo indicar primeiro: areia branca macia, água transparente e entrada gradual no mar, dentro da área marinha protegida de Capo Carbonara. Atrás dela há uma lagoa com flamingos. Recomendo pela combinação de beleza e mar calmo, que funciona bem com crianças.

O que recomendo fazer

Su Nuraxi de Barumini

Barumini, interior centro-sul da Sardenha

Recomendo o desvio até Barumini para entender a Sardenha pré-romana: é o mais conhecido complexo nurágico da Idade do Bronze e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1997. A visita é guiada, com saídas a cada cerca de 30 minutos; gosto de combinar com o Museu Casa Zapata no mesmo ingresso. Horários e valores variam por temporada, então confirme antes.

Alghero (cidade velha)

Alghero (Riviera del Corallo), noroeste da Sardenha

Indico Alghero como a virada cultural da ilha: cidade de forte herança catalã, com muralhas debruçadas sobre o mar, vielas de pedra e até uma língua própria que ainda se ouve por ali. Gosto de reservar um fim de tarde para caminhar pelos bastiões e jantar peixe no centro histórico.

Grotta di Nettuno

Capo Caccia, Alghero, noroeste da Sardenha

Recomendo a Gruta de Netuno, no promontório do Capo Caccia perto de Alghero: estalactites e estalagmites num salão sobre o mar. Dá para descer a pé pela escadaria do Capriolo (centenas de degraus) ou chegar de barco saindo de Alghero. Como a visita depende do mar estar calmo, sugiro confirmar a abertura no dia.

Bosa

Bosa (vale do Temo), oeste da Sardenha

É a parada que mais surpreende quem espera só praia: casas coloridas escalonando a colina sobre o rio Temo, coroadas pelo castelo Malaspina. Costumo indicar Bosa como bate-volta a partir de Alghero, pela estrada costeira — uma das mais bonitas para dirigir na ilha.

Cagliari (centro histórico)

Cagliari, sul da Sardenha

Recomendo dar pelo menos um dia à capital antes de descer para as praias do sul: bairro medieval de Castello com vista do alto, anfiteatro romano, mercado de San Benedetto e a praia urbana de Poetto a poucos minutos. Gosto de usá-la como base para explorar Chia e Villasimius.

Onde recomendo ficar

Hotel Cala di Volpe, a Luxury Collection Hotel

Cala di Volpe, Arzachena (Costa Smeralda)

Quando alguém quer a Costa Smeralda no auge, é o endereço que eu cito: o resort mais icônico da região, da The Luxury Collection (Marriott), à beira da enseada de Cala di Volpe. Recomendo para quem quer resgatar pontos Marriott Bonvoy ou tratar a estadia como o ápice da viagem — diárias são altíssimas, então confirme tarifas e datas de abertura da temporada.

Romazzino, A Belmond Hotel

Via Romazzino, Arzachena (Costa Smeralda)

Indico o Romazzino para quem prefere o luxo discreto da Belmond a pé na areia: é o esconderijo de praia original da Costa Smeralda, reformado e reaberto recentemente. Gosto dele pela combinação de jardim, praia própria e serviço — outra opção de topo, com diárias premium; confirme valores na temporada.

7Pines Resort Sardinia

Baja Sardinia, Arzachena (Costa Smeralda)

Recomendo o 7Pines como a cara mais contemporânea do luxo no norte: resort à beira-mar em Baja Sardinia, com suítes espalhadas por jardins e vista para o arquipélago de La Maddalena. Faz parte da coleção Destination by Hyatt, então pode interessar a quem junta pontos Hyatt — confirme tarifas e disponibilidade.

Baia di Chia Resort Sardinia, Curio Collection by Hilton

Chia, Domus de Maria (sul da Sardenha)

No sul, costumo indicar o Baia di Chia para quem quer um resort de praia com a chancela Hilton (Curio Collection), bem posicionado entre as dunas e lagoas de Chia. Recomendo para quem acumula pontos Hilton Honors e prefere a tranquilidade do sul à badalação da Costa Smeralda; confirme tarifas por temporada.

El Faro Hotel & Spa

Porto Conte, Alghero (noroeste da Sardenha)

Para uma base de custo mais contido no noroeste, recomendo o El Faro, à beira-mar perto de Alghero, junto ao Capo Caccia. Gosto da localização para emendar Alghero, Bosa e a Grotta di Nettuno sem depender de resort fechado. Valores variam bastante entre baixa e alta temporada.

Hotel dei Pini

Le Bombarde, Alghero (noroeste da Sardenha)

Opção de meio de tabela em Alghero que costumo indicar para quem quer praia e centro histórico por perto sem pagar tarifa de Costa Smeralda. Recomendo como base prática no noroeste; confirme categoria de quarto e serviços de praia na temporada, que mudam de ano para ano.

Onde recomendo comer

Luigi Pomata

Viale Regina Margherita 14, Cagliari

Em Cagliari, é o nome que recomendo para releituras da cozinha sarda com mão de chef, com o atum como especialidade da casa. Gosto de indicá-lo para um jantar mais caprichado no fim da viagem; reserve com antecedência na alta temporada.

Sa Domu Sarda

Via Sassari 51, Cagliari

Para a versão tradicional e sem firula, costumo indicar a Sa Domu Sarda, em Cagliari, com malloreddus, culurgiones e fregola em salões de decoração local. Recomendo para quem quer provar os clássicos sardos num ambiente simples e honesto.

Ristorante Il Veliero

Olbia (nordeste da Sardenha)

Em Olbia, recomendo o Il Veliero para quem quer cozinha sarda tradicional e também pizza de forno a lenha numa mesma casa. Gosto de indicá-lo como jantar de chegada ou de saída, perto do aeroporto de Olbia; confirme horário de funcionamento fora da alta temporada.

Ristorante Da Bartolo

Olbia (nordeste da Sardenha)

Outra pedida em Olbia para peixe fresco e pratos sardos tradicionais. Costumo indicar quando o foco é frutos do mar; recomendo reservar nas noites de verão, que lotam.

Dicas da Sardenha

Como chegar e por que alugar carro

Como não há voo direto do Brasil, eu sempre monto a chegada via hub europeu (Lisboa com a TAP, Roma ou Madri com ITA/Iberia) e dali pego um voo regional para Olbia (OLB), que é a porta da Costa Smeralda no nordeste, ou Cagliari (CAG), no sul. Escolho o aeroporto pela região onde vou ficar. Chegando, recomendo retirar um carro alugado já no aeroporto: o transporte público da ilha é fraco e as melhores praias ficam em estradas secundárias, então sem carro você fica preso à base. Tarifas de aluguel disparam no verão e algumas categorias esgotam, reserve com antecedência e confira a política de combustível e seguro antes de assinar.

Melhor época para ir

A janela que eu recomendo vai de junho a meados de setembro, quando o mar está quente e os dias longos. O ponto de atenção é agosto: é quando os italianos saem de férias em massa, então preços de hotel e aluguel de carro disparam e as praias famosas enchem. Quando dá, eu fujo de agosto e fico em junho ou setembro, que costumam entregar clima parecido com menos gente. Maio e outubro funcionam para quem prioriza preço e tranquilidade, mas o mar fica mais frio e parte da estrutura de praia ainda não abriu ou já fechou.

Quantos dias reservar

Para cobrir norte e sul com calma, costumo indicar de 7 a 10 dias na ilha. Se o tempo for curto, recomendo escolher um lado só: o nordeste (Costa Smeralda, San Teodoro, Olbia) ou o sul (Cagliari, Chia, Villasimius). Tentar emendar os dois extremos em 4 ou 5 dias vira maratona de estrada e tira o melhor da viagem, que é o ritmo de praia.

Norte (Costa Smeralda) ou sul (Cagliari e Chia)

É a decisão que mais define a viagem. O norte, com Porto Cervo e Arzachena, é o lado glamouroso e mais caro, de iates e resorts; recomendo para quem busca a cena da Costa Smeralda e praias como a del Principe. O sul, com base em Cagliari, é mais pé no chão e, na minha leitura, melhor custo-benefício: tem a capital, Chia, Villasimius e praias de mar raso. Quem viaja com crianças costuma se dar melhor no sul; quem quer badalação, no norte.

Praias com reserva e acesso controlado

Algumas das praias mais famosas passaram a ter acesso regulado, e isso muda o planejamento. La Pelosa, em Stintino, exige reserva antecipada e cobra uma taxa de cerca de 3,50 euros por pessoa, com limite diário de visitantes na temporada. Cala Goloritzé, no Golfo di Orosei, tem reserva obrigatória de abril a outubro e cobrança de acesso (em torno de 7 euros), além de horários de trilha. Como essas regras e valores mudam a cada temporada, recomendo conferir no site oficial de cada praia antes de ir e reservar com alguns dias de antecedência.

Quanto custa o trecho ilha–continente em milhas

A faixa de milhas que indico (cerca de 50–65k na econômica e 80–150k na executiva, por trecho) é para o pulo Brasil–Europa, que é o caro da conta. O trecho da Europa continental até Olbia ou Cagliari costuma ser barato, às vezes vale mais emitir em dinheiro ou usar Avios/companhia de baixo custo do que gastar milhas boas nesse pedaço. Como pisos e disponibilidade mudam o tempo todo, confirme os valores no app do seu programa antes de fechar.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de visto para ir à Sardenha?

Não para turismo de até 90 dias. A Itália integra o Espaço Schengen, e o brasileiro entra sem visto com passaporte válido (recomendo 6 meses de validade). Desde abril de 2026 o EES biométrico está ativo na chegada, e a ETIAS, autorização eletrônica paga, está prevista para o fim de 2026, confirme a exigência antes de embarcar, porque as datas vêm mudando.

Como chegar à Sardenha saindo do Brasil?

Não há voo direto. O caminho que eu monto é Brasil até um hub europeu (Lisboa pela TAP, Roma ou Madri pela ITA/Iberia) e, dali, um voo regional para Olbia (OLB), no nordeste, ou Cagliari (CAG), no sul. Escolha o aeroporto pela região onde vai se hospedar. No verão também há balsas a partir da Itália continental, mas para quem vem do Brasil o avião é o caminho natural.

Precisa alugar carro na Sardenha?

Na prática, recomendo que sim. O transporte público é limitado e as melhores praias ficam em estradas secundárias, então sem carro você fica preso à base. Costumo retirar o carro já no aeroporto. Reserve com antecedência no verão, quando as tarifas sobem e algumas categorias esgotam, e confira a política de combustível e seguro antes de assinar.

Qual a melhor época para visitar a Sardenha?

A janela que eu indico vai de junho a meados de setembro, com mar quente e dias longos. O mês a evitar, se possível, é agosto: os italianos saem de férias em massa, os preços disparam e as praias enchem. Junho e setembro costumam entregar clima parecido com menos gente. Maio e outubro são opção para tranquilidade, mas com mar mais frio e estrutura de praia reduzida.

Quantos dias são ideais na Sardenha?

Para combinar norte e sul com calma, recomendo de 7 a 10 dias. Com menos tempo, vale escolher um lado só, o nordeste da Costa Smeralda ou o sul de Cagliari e Chia, para não transformar a viagem em maratona de estrada.

Norte ou sul: onde ficar na Sardenha?

Depende do estilo. O norte (Costa Smeralda, Olbia, San Teodoro) é o lado glamouroso e mais caro, de resorts e iates. O sul (Cagliari, Chia, Villasimius) é mais pé no chão e, na minha leitura, melhor custo-benefício, com a capital e praias de mar raso boas para famílias. Se viaja com crianças, costumo indicar o sul; se quer badalação, o norte.

A Sardenha é cara?

Pode ser, mas varia muito por região e época. A Costa Smeralda no norte é dos lugares mais caros do Mediterrâneo em alta temporada, com resorts de diária premium. Já o sul, com base em Cagliari, e cidades como Alghero têm hospedagem e comida bem mais acessíveis. Agosto é o pico de preços em toda a ilha; fora dele, dá para montar uma viagem de custo razoável. Confirme valores na temporada, que mudam bastante.

Preciso reservar para entrar nas praias da Sardenha?

Em algumas das mais famosas, sim. La Pelosa (Stintino) e Cala Goloritzé (Golfo di Orosei) adotaram acesso controlado, com reserva antecipada, taxa por pessoa e limite diário de visitantes na temporada. A maioria das praias continua de acesso livre, mas essas regras e os valores mudam a cada ano, recomendo conferir no site oficial de cada praia e reservar com alguns dias de antecedência.