Nubank

Nubank: guia completo

O Nubank entrou no mundo de pontos por um caminho diferente do das aéreas e da Livelo. Em vez de um programa de fidelidade clássico que pontua todo mundo automaticamente, o banco trabalha com cashback que pode virar pontos e, no caso do cartão de alta renda, com um programa de pontos próprio. Para quem busca milhas, a parte que interessa é simples: parte do que você gasta pode ser convertida em milhas de LATAM Pass, Smiles e Azul Fidelidade. O detalhe é que isso não acontece sozinho. Depende de qual cartão você tem e de qual benefício está ativo, e essas regras mudaram bastante nos últimos anos.

Como funciona

Existem três camadas distintas no ecossistema Nubank, e confundi-las é o erro mais comum. A primeira é o Nubank Rewards, o programa de pontos histórico, com mensalidade, em que cada R$ 1 gasto virava 1 ponto e os pontos não expiravam enquanto a assinatura estava ativa. O Rewards deixou de aceitar novos assinantes no início de 2024 e vem sendo substituído. A segunda camada é o Nubank+, o programa que herdou esse papel para a maior parte da base: ele dá cashback sobre as compras no crédito, com a opção de converter esse valor em milhas, além de benefícios como assinatura de streaming e saques sem custo em caixas eletrônicos. A terceira camada é o Nubank Ultravioleta, o cartão de alta renda, que tem o acúmulo mais robusto e o programa de pontos mais completo do banco.

Na prática, o que define quanto você consegue acumular é o cartão e o benefício escolhido. Cartões Nubank comuns, sem Rewards ativo ou sem o Nubank+, não geram pontos por si só. É uma diferença grande em relação a um cartão que pontua de fábrica, e vale entender antes de contar com o Nubank como fonte principal de milhas.

Como acumular

  • Nubank Ultravioleta (pontos): o caminho mais forte. O cartão acumula a partir de 2,2 pontos por dólar gasto no crédito, com a opção de receber 1,25% de cashback no lugar dos pontos. Você escolhe entre pontos ou cashback na hora de resgatar.
  • NuViagens pelo Ultravioleta: compras de passagens e hotéis pela plataforma de viagens do banco rendem bem mais, a partir de 9 pontos por dólar (ou 5% de cashback). É o uso que mais multiplica o acúmulo no cartão.
  • Nubank+ (cashback convertível): para quem não tem o Ultravioleta, o Nubank+ oferece cashback sobre as compras no crédito, e esse saldo pode ser convertido em milhas. O percentual é modesto, então o volume vem do uso recorrente do cartão no dia a dia.
  • Nubank Rewards (legado): quem já era assinante antes do fechamento para novos clientes ainda pode acumular 1 ponto por real, dependendo da migração de conta. Não é mais uma porta de entrada disponível.

Um ponto a favor do modelo do banco: o acúmulo é calculado em reais no caso dos programas históricos e em dólar no Ultravioleta. No Ultravioleta, os pontos não expiram, o que dá liberdade para juntar saldo sem a pressão de vencimento que existe na maioria dos programas de coalizão.

Para onde transferir

Os pontos e o cashback convertível do Nubank transferem para três programas aéreos, todos na relação aproximada de 1 ponto para 1 milha:

  • LATAM Pass: o parceiro mais integrado. Além da transferência 1:1, o cartão Ultravioleta passou a oferecer o Modo LATAM Pass, uma transferência automática que credita as milhas direto na conta LATAM e adiciona um bônus extra sobre o valor transferido. Útil para quem já tem a LATAM como programa principal.
  • Smiles (GOL): transferência disponível, com bônus que aparecem em campanhas pontuais. As milhas Smiles têm validade de 12 meses a partir do crédito, então transfira com um uso em mente.
  • Azul Fidelidade: também entre os destinos disponíveis, com bônus que variam conforme a categoria do cliente no programa da Azul. As milhas Azul têm prazo de validade mais curto, o que reforça a regra de só transferir quando já sabe o que vai emitir.

Vale registrar o que o Nubank não faz: ao contrário da Livelo e de outras coalizões, os pontos do banco não transferem para TAP, programas Avios ou parceiros internacionais. A liquidez é menor e fica concentrada nas três aéreas brasileiras. Antes de transferir, confira os bônus ativos e rode os números na calculadora do milheiro para saber se o momento compensa.

Melhores usos

  • Acumular no Ultravioleta e esperar bônus: como os pontos do Ultravioleta não expiram, dá para juntar o ano todo e transferir só quando aparecer uma campanha forte para Smiles ou Azul, ampliando o saldo final de milhas.
  • Modo LATAM Pass para quem voa LATAM: a transferência automática com bônus reduz o atrito e o custo efetivo do milheiro para quem já planeja resgatar na LATAM. Faz menos sentido para quem ainda não decidiu o programa de destino.
  • Cashback como piso seguro: quando não há um bom uso de milhas à vista, optar pelo cashback (ou pelo cashback que rende na Caixinha Turbo do Ultravioleta) evita transferir mal e perder valor. Pontos parados sem plano valem menos que cashback rendendo.
  • NuViagens para acelerar o acúmulo: concentrar compras de viagem na plataforma do banco, quando o preço está competitivo, multiplica os pontos em relação ao gasto comum.

Pontos de atenção

  • Acúmulo não é automático: sem Ultravioleta, sem Nubank+ ou sem o Rewards legado, o cartão Nubank não gera pontos. Quem espera milhas só por usar o cartão comum acaba frustrado.
  • Liquidez limitada: três aéreas brasileiras como destino é menos que a maioria das coalizões oferece. Se o seu objetivo é Europa via TAP ou resgates Avios, o Nubank não atende esse caminho.
  • Programa em transição: a migração do Rewards para o Nubank+ e os ajustes recentes no Ultravioleta mostram que as regras mudam com frequência. Vale confirmar percentuais e benefícios vigentes antes de planejar.
  • Custo do Ultravioleta: o cartão tem anuidade relevante e só compensa para quem gasta o suficiente para isentá-la ou para quem usa de fato os benefícios. Para perfil de gasto baixo, a conta de milhas raramente fecha.
  • Validade nas aéreas de destino: as milhas não expiram no Ultravioleta, mas expiram depois de transferidas para Smiles e Azul. Transferir cedo demais, sem emissão à vista, é desperdício.

Veredito

O Nubank é uma boa fonte de milhas para um público específico: quem tem o cartão Ultravioleta, gasta o suficiente para justificar a anuidade e quer concentrar acúmulo em LATAM, Smiles ou Azul. Nesse cenário, pontos que não expiram, a integração com a LATAM Pass e a flexibilidade entre pontos e cashback formam um conjunto competitivo. Para o cliente comum, sem Ultravioleta e sem Rewards legado, o ganho em milhas é pequeno, e o Nubank+ entrega mais valor como cashback do que como gerador de milhas. A maior limitação é a liquidez: três aéreas brasileiras como destino deixam o programa atrás das grandes coalizões para quem busca resgates internacionais variados. É um ótimo complemento para quem já tem uma estratégia montada, mas dificilmente o centro dela.

Veja também a lista completa de Programas, o nosso ranking de programas de milhas e os Cartões que ajudam a acumular pontos no Brasil.