Melhor época para ir Abril a setembro, na estação seca, com dias de céu limpo e clima ameno; evite janeiro-fevereiro pelas chuvas de verão.
Eu gosto de explicar Belo Horizonte assim: é a cidade onde a alta gastronomia e o boteco de esquina convivem no mesmo quarteirão. Capital de Minas, BH tem o ritmo de quem não tem pressa, uma cena de bares que rivaliza com a de qualquer capital do país e o conjunto da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx e azulejos de Portinari, que virou Patrimônio Mundial da UNESCO em 2016. Some a isso o Mercado Central, os museus do Circuito Liberdade na Praça da Liberdade e uma das melhores cozinhas mineiras do Brasil, e você tem uma cidade que merece mais do que uma escala apressada.
O que mais valorizo em BH é a posição: é a melhor base para dois dos passeios que eu mais recomendo em Minas. Inhotim, o maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina, fica em Brumadinho, a cerca de 60 km. Ouro Preto, a cidade barroca da Inconfidência, está a uns 100 km, pouco mais de uma hora e meia de carro. Dá para usar Belo Horizonte como quartel-general e fazer ambos em bate-volta, ou esticar uma noite em cada.
No olhar de quem viaja com milhas, BH é um destino doméstico generoso. Voa-se para Confins (CNF) a partir de praticamente todo o país, e as três principais companhias mantêm rotas frequentes, o que costuma significar boa disponibilidade de assentos-prêmio na econômica e tarifas em milhas que valem a pena monitorar, sobretudo fora de alta temporada.
O que recomendo fazer
Igreja São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha)
Pampulha, Belo Horizonte
A obra-prima do conjunto da Pampulha e a primeira construção moderna tombada no Brasil: parabolóides de concreto de Niemeyer, painel de Portinari no interior e jardins de Burle Marx. É o cartão-postal arquitetônico de BH e parte do sítio UNESCO desde 2016.
Casa do Baile
Pampulha, Belo Horizonte
Outro ícone Niemeyer na orla da Lagoa da Pampulha, hoje centro de referência em arquitetura, urbanismo e design, com a marquise sinuosa que virou símbolo do modernismo. Boa parada para emendar com a Igrejinha e o Mineirão no mesmo roteiro.
Praça da Liberdade e Circuito Liberdade
Funcionários, Belo Horizonte
A praça mais bonita da cidade, com sua alameda de palmeiras imperiais e jardins de inspiração francesa, virou um complexo cultural. Em volta estão vários museus do Circuito Liberdade — dá para passar um dia inteiro só ali, e boa parte tem entrada gratuita.
Mercado Central
Av. Augusto de Lima, 744, Centro, Belo Horizonte
Aberto em 1929, é o coração popular de BH: mais de 400 lojas de queijos e doces mineiros, cachaças, ervas e artesanato, com botecos que disputam o título de cerveja mais gelada da cidade. Visita obrigatória — vá com fome e tempo de sobra.
Mirante das Mangabeiras
Mangabeiras, Belo Horizonte
Um dos pontos mais altos da cidade, com decks de madeira e vista panorâmica de quase toda BH. Eu recomendo subir no fim da tarde para o pôr do sol. Entrada gratuita; carros não sobem até o mirante, então combine app ou ônibus.
Mineirão e Museu Brasileiro do Futebol
Pampulha, Belo Horizonte
O tour leva você aos vestiários, ao gramado e à sala de imprensa, e inclui o Museu Brasileiro do Futebol, com 14 salas sobre a história do esporte no país. Para quem viaja com crianças ou ama futebol, é um programa que rende — e fica ao lado do conjunto da Pampulha.
Museu dos Brinquedos
Av. Afonso Pena, Centro, Belo Horizonte
Acervo de cerca de 5 mil peças, do fim do século 19 aos dias de hoje, num espaço pensado para celebrar a infância. É a minha indicação para famílias com crianças na região central, fácil de combinar com a Praça da Liberdade.
Onde recomendo ficar
Mercure Belo Horizonte Savassi
Serra (junto à Savassi), Belo Horizonte
Hotel da bandeira Accor bem posicionado a poucos minutos da Savassi, com piscina, academia 24h e café da manhã decente. É uma escolha previsível e funcional para quem acumula pontos ALL e quer ficar perto dos melhores restaurantes e bares da cidade.
Onde recomendo comer
Xapuri
Pampulha, Belo Horizonte
Comida mineira de raiz num casarão rústico na Pampulha, na ativa desde 1987. O frango com quiabo e a costelinha com tutu são os clássicos que eu peço. É o tipo de almoço caprichado e farto que define a mesa mineira.
Grupo Glouton (restaurantes do chef Leo Paixão)
Lourdes / Savassi, Belo Horizonte
Leo Paixão é um dos nomes que colocaram a alta gastronomia de BH no mapa. O Glouton, premiado entre os melhores da América Latina, costura técnica francesa e ingrediente mineiro; o grupo ainda inclui o badalado bar Nicolau. Para uma refeição especial, é a minha recomendação na cidade.
Café com Letras
Rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi, Belo Horizonte
Bar-café-livraria na Savassi desde 1996, com drinks, cervejas artesanais e vinhos mineiros num clima descontraído e cultural. Eu gosto dele como ponto de partida para uma noite pela Savassi, sem a pressa de um restaurante formal.
Cantina do Lucas (Edifício Maletta)
Av. Augusto de Lima, 233, Edifício Maletta, Centro, Belo Horizonte
Um dos botecos mais tradicionais de BH, na ativa desde 1962 dentro do histórico Edifício Maletta, reduto boêmio do centro. Ambiente que transporta para outra época e prato-assinatura, o filé à surpresa. Para sentir a verdadeira cultura de boteco da cidade, é parada certa.
Dicas de Belo Horizonte
A executiva da Copa saindo de BH costuma ser a reclinável (não a Dreams)
Quem voa em executiva da Copa de Belo Horizonte (Confins) para o Panamá geralmente pega o 737-800, com poltrona só reclinável, não a cama plana Dreams, que fica nos 737 MAX 9. Reclina mais e dá prioridade, mas não vira cama. Para trecho curto, a econômica da Copa já é confortável e costuma valer mais a pena.
Vá na estação seca
Prefiro BH entre abril e setembro: dias de céu aberto, clima ameno e melhor para a Pampulha ao ar livre e para o mirante. O verão (janeiro-fevereiro) traz pancadas de chuva fortes que podem atrapalhar passeios e estradas para Inhotim e Ouro Preto.
Como ir do aeroporto ao centro: Belo Horizonte
A maioria dos voos pousa em Confins, a cerca de 40 km do centro. Eu pego o ônibus executivo Conexão Aeroporto até o Terminal Álvares Cabral (perto da Savassi): leva uns 50 minutos e custa por volta de R$ 40. De app, conte com R$ 120 a R$ 160 e trânsito variável.
Do aeroporto de Confins até o centro
Eu pego o ônibus executivo da Conexão Aeroporto até o Terminal Álvares Cabral, perto da Savassi: cerca de 50 minutos por volta de R$ 40, contra R$ 120 a R$ 160 de app. Para emendar Inhotim ou Ouro Preto, alugar carro no aeroporto compensa.
Inhotim rende mais com dia inteiro
O instituto em Brumadinho (cerca de 60 km) é enorme e cansa as pernas. Eu chego cedo, compro o ingresso antes pelo site oficial e, idealmente, durmo uma noite na região para não correr. Às quartas a entrada costuma ser gratuita, mas o ingresso ainda precisa ser retirado com antecedência.
Ouro Preto pede uma noite
A cidade barroca está a cerca de 100 km (pouco mais de 1h30 de carro). Dá para bate-volta, mas as ladeiras e a quantidade de igrejas e museus rendem; se puder, eu durmo uma noite no centro histórico para curtir a cidade vazia ao entardecer.
Fique na Savassi ou na Lourdes
São os bairros que eu recomendo para quem vai a passeio: caminháveis, seguros nos eixos principais e cercados pelos melhores restaurantes e bares. Ficam perto do terminal do executivo do aeroporto e da Praça da Liberdade.
Reserve uma noite para os botecos
BH leva a comida de boteco a sério, o Comida di Buteco nasceu aqui. Eu separo pelo menos uma noite para isso, seja num clássico como a Cantina do Lucas, no Maletta, seja nos bares do Mercado Novo, que viram point gastronômico à noite.
Perguntas frequentes
Vale a pena usar Belo Horizonte como base para Inhotim e Ouro Preto?
Sim, é exatamente o que eu recomendo. Inhotim fica em Brumadinho, a cerca de 60 km de BH, e Ouro Preto a cerca de 100 km (pouco mais de 1h30 de carro). Dá para fazer cada um em bate-volta a partir da capital, embora Inhotim renda mais com uma noite em Brumadinho e Ouro Preto mereça dormir uma noite no centro histórico.
Onde se hospedar em Belo Horizonte?
Para quem vai a passeio, eu indico a Savassi e a Lourdes, na região Centro-Sul: bairros caminháveis, com os melhores restaurantes, bares e boa oferta de hotéis. Funcionários e estádio à parte, é onde você fica perto de quase tudo e com fácil acesso ao executivo do aeroporto, que para no Terminal Álvares Cabral.
O Mercado Central vale a visita?
Vale, e é parada certa na minha lista. Inaugurado em 1929, reúne mais de 400 lojas com queijos e doces mineiros, cachaças, ervas, artesanato e botecos lendários, a fama é de servir a cerveja mais gelada da cidade. Abre de segunda a sábado das 8h às 18h e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Vá com fome.
Quantos dias ficar em Belo Horizonte?
Para a cidade em si, dois dias cobrem bem o essencial: um para a Pampulha e o Mercado Central, outro para a Praça da Liberdade, os museus do Circuito Liberdade e a cena de botecos. Se você quiser encaixar Inhotim e Ouro Preto, e eu acho que vale, reserve de quatro a cinco dias no total.
Confins (CNF) ou Pampulha (PLU): em qual aeroporto vou pousar?
Quase certamente em Confins (CNF), o aeroporto internacional Tancredo Neves, a cerca de 40 km do centro, por onde passa a grande maioria dos voos. O aeroporto da Pampulha (PLU) é bem mais central, mas opera poucas rotas. Na prática, planeje a chegada considerando Confins e o trajeto de cerca de 50 minutos até a cidade.
Por que Belo Horizonte é chamada de capital dos botecos?
Porque o boteco aqui é instituição. BH tem uma das maiores concentrações de bares do país e leva a sério a comida de boteco, não à toa o concurso Comida di Buteco nasceu na cidade. Eu recomendo reservar pelo menos uma noite para essa cultura: de clássicos como a Cantina do Lucas, no Edifício Maletta, aos endereços do chef Leo Paixão e ao polo gastronômico do Mercado Novo.